Luis Fernando Verissimo (1936-2025)

Luis Fernando Verissimo

O grande escritor Luis Fernando Verissimo faleceu em 30.08.2025 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. No portal G1:

Ele estava internado na UTI do Hospital Moinhos de Vento há cerca de três semanas com princípio de pneumonia. A informação foi confirmada por familiares.

Verissimo tinha Parkinson e problemas cardíacos – em 2016, implantou um marcapasso. Em 2021, o escritor sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), e segundo a família, enfrentava dificuldades motoras e de comunicação.

O escritor deixa a mulher, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos.

Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.

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Nascido em Porto Alegre em 26 de setembro de 1936, Veríssimo foi escritor, humorista, cartunista, tradutor, roteirista, dramaturgo, romancista e um de nossos melhores cronistas, além de colunista, publicitário e revisor de jornal. Também foi saxofonista. Com mais de 80 títulos publicados, foi um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos, e era filho do também grande escritor Erico Verissimo.

Mais obre LFV em
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Luis_Fernando_Verissimo

Ainda no G1:

Metódico, só interrompia o trabalho quando a mulher, Lúcia, o chamava para o almoço. Já à noite, parava para assistir ao Jornal Nacional. Quando queria curtir seu estilo de música preferido, o fazia sem distrações. “Música é sentar e ouvir”, disse em entrevista em 2012.

O humor de contos e crônicas marcou sua obra. Entre os personagens mais conhecidos criados por ele estão os de “Ed Mort e outras histórias”, de 1979, “O analista de Bagé”, de 1981 e “A velhinha de Taubaté”, de 1983. Também criou a tirinha “As cobras”, publicada na “Folha da Manhã”, nos anos 70. “Comédias da vida privada”, de 1994, deu origem à série da Rede Globo produzida durante os três anos seguintes.

“Um desafio porque o humor de televisão, ao contrário do que possa parecer, é mais difícil de fazer que o humor impresso, o humor gráfico, vamos dizer assim (…) Não tenho uma vocação humorística, mas consigo eventualmente produzir humor. Mas é uma coisa mais deliberada, mais pensada, do que espontânea, no meu caso”, disse em entrevista na época.

No final da década de 80, foi um dos roteiristas do programa de humor “TV Pirata”. Entre sucessos comerciais também estão “Comédias para se ler na escola” e “As mentiras que os homens contam”, de 2000.

Quando morou nos Estados Unidos, Veríssimo estudou no Roosevelt High School, em Washington. Foi lá que desenvolveu o gosto pelo Jazz e teve aulas de saxofone. Mas, por trás do saxofone e das páginas dos livros, se escondia um cara tímido.

“Minha timidez é… Por exemplo: tenho horror de fazer isso que estou fazendo agora: dar entrevista, falar em público e tal. Eu sempre digo que não dominei a arte de falar e escrever ao mesmo tempo, são duas coisas que se excluem, então é nesse sentido é que se manifesta a minha timidez”, disse à RBS TV.

Mas, a economia nas palavras não se aplicava às máquinas de escrever e, depois, aos computadores. O autor tímido tinha muita coisa para falar. “Essa é uma das vantagens da crônica. A gente pode ser o que quiser escrevendo uma crônica”.

A cada homenagem que recebia, como quando fez 80 anos, mais provas de que não precisava de longas conversas para arrancar uma risada. “Têm sido tão agradáveis as homenagens, inclusive da família, que eu tô pensando em fazer 80 anos mais vezes”, brincou.

No site da BBC:

(…) Na rede Globo, foi redator de programas como Planeta dos homens, Viva o gordo e TV Pirata.

Mas seu maior sucesso nas telas veio com A Comédia da Vida Privada, série de 21 episódios, exibida pela Globo entre 1995 e 1997.

Criada por Jorge Furtado e Guel Arraes, teve roteiros de grandes nomes Pedro Cardoso, Fernanda Young, Guel Arraes e do próprio Verissimo, que teve suas crônicas adaptadas e também escreveu roteiros originais para alguns episódios.

Exibida às terça-férias, a série tinha como enredo histórias do cotidiano de pessoas da classe média brasileira, com um estelar elenco de mestre da comédia nacional, como Marco Nanini, Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Marieta Severo, Andréa Beltrão, Luiz Fernando Guimarães, entre outros.

“Diálogos ágeis e engraçados, edição rápida, efeitos eletrônicos e interpretação teatral de texto baseado na obra do escritor Luis Fernando Verissimo fazem o sucesso do programa. Mesmo que muitos dos termos e situações abordadas estejam há muito fora de circulação. Ou talvez por isso mesmo”, escreveu a crítica Esther Hamburger sobre a série.

Verissimo teve ainda suas crônica adaptadas em quadros de humor no programa dominical Fantástico, e nas séries Sexo Frágil (Globo, 2003-2004), Aventuras da Família Brasil (RBS, 2009) e Amor Verissimo (GNT, 2014-2015).

“Sou um gigolô das palavras. Vivo à custa delas. E tenho com elas a exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas”, escreveu Verissimo sobre seu ofício, na crônica O gigolô das palavras.

Na velhice, já debilitado pelos anos e pelos sucessivos problemas de saúde, o escritor falava da morte com um misto de tristeza e doçura, com a leveza típica de sua obra.

“A morte é uma injustiça, esse é a melhor descrição. Mas a gente tem de conviver com isso”, disse ele à Folha de S.Paulo, em 2011.

“A gente vai ficando mais lento de pensamento. Nesse sentido, estou sentindo a velhice. Mas aí é tentar aproveitar a vida da melhor maneira. Enquanto der para aproveitar a nossa neta, ir ao cinema, viajar, a gente vai levando.”

Em 2013, após deixar o hospital onde havia sido internado na UTI, em função e um gripe que evoluiu para um quadro de infecção generalizada, foi ainda mais radical, em nova declaração à Folha.

“A morte é uma sacanagem. Sou cada vez mais contra.”

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~ por Tommy Beresford em agosto, 30 2025.

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