[Resenhas] O Grande Hotel Budapeste

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Diretor de produções consideradas, na gíria atual, “fora da casinha” — como “Os Excêntricos Tanembaums”, “Viagem a Darjeeling” e o recente “Moonrise Kingdom” — , Wes Anderson lançou em 2014 seu melhor filme. Aos 45 anos, o diretor uniu protagonistas como F. Murray Abraham, Jude Law, Ralph Fiennes e Willem Dafoe a um sem número de grandes atores em papeis menores e construiu o delicioso “O Grande Hotel Budapeste”.

Com um pé nos anos 40 (até porque boa parte da história é mesmo passada na época da segunda grande guerra) e com excelentes diálogos, Anderson cria uma intriga com um pé no farsesco mas que prende o cinéfilo; para isso, além de ter escrito um excelente roteiro (baseado na obra de Stefan Zweig, escritor austríaco que se suicidou em seu exílio no Brasil em 1942), o diretor opta inclusive por diferentes formatos de imagem, mais ou menos “esticadas”, e um colorido estético que torna tudo singular e fascinante, apesar do local inóspito onde a trama se passa. Tudo é muito bem cuidado, mas especialmente o conquistar gradativo do espectador, que vai se fascinando a cada situação, por mais nonsense que possa parecer.

Mas atenção: em meio a tanto cuidado técnico, há uma visão bem construída das transformações da sociedade e das intrincadas e muitas vezes perversas relações humanas, ainda que tudo regado a um humor singular e por vezes surpreendente. Outro ponto a observar é que não é um filme “fácil”: é preciso mergulhar em seu andamento, não esperar aceleração, não se assustar com alguns excessos, aceitar alguns estereótipos. É preciso “curtir” o filme.

O excelente e versátil Ralph Fiennes ganhou de presente um dos melhores papeis de sua carreira, e não o desperdiça: é dele as melhores cenas e falas, ainda que a disputa com o inacreditável iniciante Toni Revolori esteja ‘pau a pau’ na comparação entre dois personagens tão díspares quanto fascinantes. Mas fique atento a cada pequena participação de nomes como Adrien Brody, Edward Norton, Harvey Keitel, Bill Murray, Jeff Goldblum, Léa Seydoux, Jason Schwartzman, Owen Wilson, Mathieu Amalric, Tom Wilkinson e, ufa, uma irreconhecível Tilda Swinton… Neste somatório de grande elenco, excelente história, narrativa cativante e estética surreal, “O Grande Hotel Budapeste” é sem dúvida um dos melhores filmes da safra pós-Oscar 2014, recomendo imensamente.

Tommy Beresford

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~ por Tommy Beresford em julho, 09 2014.

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