[Resenhas] Cinderela (2015)

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O mínimo que se espera de um remake de um conto de fadas, de um filme de princesas ou de histórias infantis tradicionais é que seja preservada a magia. Se é um clássico da Disney então, a expectativa acaba sendo dobrada. Alguns deles conseguiram este feito, como no caso recente da história da Bela Adormecida: é bom frisar que “Malévola” é contada na visão da vilã, mas o filme é muito bem sucedido. Outros igualmente recentes, como “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador”, ambos de 2012, agradaram um pouco menos.

A versão de Kenneth Branagh para “Cinderela”, personagem criado por Charles Perrault em 1697, demora um pouco para engrenar, talvez esticando demais os detalhes que precedem o tão sonhado convite para o baile. Mas a magia está toda lá, e o espectador é remetido à versão mais conhecida, a do desenho clássico de 1950, a décima segunda animação da Disney, bem no início da última década da primeira fase de ouro desta criadora de sonhos, que começa e termina com duas outras inesquecíveis princesas: de 1937, com “Branca de Neve”, a 1959, com “A Bela Adormecida”. A Disney se reergueria ao trono de excelência apenas trinta anos depois: logo após o cultuado “A Pequena Sereia” (1989), com a tríade espetacular composta por “A Bela e a Fera” (1991), ‘Aladdin” (1992) e “O Rei Leão” (1994). E, já que citamos anteriormente alguns longas “de carne e osso” recentes, vale lembrar que a mesma Cinderela esteve recentemente em “Caminhos da Floresta”, vivida por Anna Kendrick.

Desta vez, com toda pompa, circunstância e fuligem a que tem direito, a (futura) princesa desta versão de carne e osso é interpretada por Lily James, embora os créditos do longa apresentem como verdadeira protagonista a madrasta vivida com brilhante contenção por Cate Blanchett. Outra atriz tão talentosa quanto talvez desse um tom mais exagerado à vilã, mas Blanchett e Branagh optam por uma sutileza que dá espaço para Lily James também reinar. A mocinha enfatiza as palavras da mãe no leito de morte, de que é preciso “ser gentil e ter coragem”… talvez ela precisasse ter mais coragem, mas se assim fosse ela não seria a Gata Borralheira que conhecemos. Não sei se Lily James é tão talentosa assim (a questão da beleza cada um que julgue ao seu ‘gosto’, eu não a achei tão bonita assim), mas ela dá conta do recado. Na direção de arte e figurinos estão figuras tarimbadas como o veterano Dante Ferretti e a premiada Sandy Powell, e esta capricha nas vestimentas, especialmente para Cate Blanchett.

O filme cresce a partir da aparição da fada madrinha (Helena Bonham Carter, sempre ótima). A cena do baile é o ponto alto do filme, onde a magia de fato se apresenta “di cum força”: a inesperada aparição da desconhecida que chama a atenção de todos, a magistral descida das escadas com o cintilante vestido azul e, especialmente, a longa cena de dança com o príncipe (Richard Madden)… impossível não se deliciar. Da “Cinderela” de Branagh não há como dizer que não se encaixa na perfeita definição de um entretenimento belo e envolvente.

Há poucas modificações mas, claro, não espere fidelidade total ao desenho da Disney: há novidades nas cenas referentes ao “teste do sapatinho de cristal”, por exemplo, mas isso não tira pontos do filme. Sem ser um clássico, é um filme de moldes tradicionais, sem exageros (nem mesmo nos efeitos especiais), apesar de toda a suntuosidade. Chegue cedo para assistir a “Frozen – Febre Congelante”, o delicioso e divertido curta que antecede a “Cinderela”, com Anna, Elsa, Olaf e a turma toda (além de uma canção inédita que vai conquistar a todos). E não saia antes dos créditos finais, pois a música que você esperava finalmente vai tocar para que você saia da sala escura nostálgico e nas nuvens. Compre sua pipoca e divirta-se.

Tommy Beresford

CINDERELLA

~ por Tommy Beresford em março, 27 2015.

Uma resposta to “[Resenhas] Cinderela (2015)”

  1. Um filme maravilhoso, para os marmanjos nostálgicos e crianças que, um dia, serão os futuros marmanjos (como já fomos).

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