[Resenhas] Os Oito Odiados

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A grande questão é: você vai gostar mais da parte de “Os Oito Odiados” em que ele ainda se mantém cool e calmo, contando de forma arrastada e verborrágica (porém eficiente e tecnicamente caprichada) a história que aparentemente deveríamos considerar, ou da parte em que Quentin Tarantino realmente se mostra intenso e inteiro (e portanto sanguinolento e quase nocivo), apresentando reviravoltas e tensões inesperadas na sala escura?

“The Hateful Eight” foi dividido pelo diretor em vários capítulos, mas no fundo são dois filmes em um. A primeira metade é muito longa, até cansativa, embora alimentada por uma ótima fotografia, uma caprichadíssima trilha sonora (de Ennio Morricone, um dos favoritos ao Globo de Ouro 2015/2016 e provável indicado ao Oscar) e, apesar do ritmo e dos diálogos exagerados (entremeados de silêncios igualmente longos e dispersantes), uma direção eficiente de Tarantino, que se cercou, como sempre, de um elenco incrível. Só essa primeira parte se estende pelo tempo de um filme inteiro, pois a duração total do longa é de 182 minutos. Mais para o final, a trama aparentemente sem surpresas mostra ao que veio, com mistério, explicações e sangue, muito sangue. Esta segunda metade “acorda” o espectador e “acalma” os fãs explícitos do cinema franco e intensamente violento do diretor. No fundo, “Os Oito Odiados” fala de relações sociais, dominação e minorias dos Estados Unidos pós-Guerra Civil de meados do século 19, e passeia entre a quase sutileza do inicio da exibição até o banho de sangue (que, em se tratando de Tarantino, não constitui um spoiler) do final da história.

Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original duas vezes (em 1995 e 2013, respectivamente por “Pulp Fiction” e “Django Livre”, dois de seus melhores filmes), Tarantino mais uma vez é forte candidato na categoria, concorrendo provavelmente com “Spotlight” e “Divertida Mente”. O elenco tem nomes de peso como Samuel L. Jackson e Kurt Russell, os excelentes protagonistas da trama, Demián Bichir, Tim Roth, Michael Madsen e o veterano Bruce Dern, mas são dois coadjuvantes que roubam a cena: Walton Goggins como Chris Mannix, o Xerife, e Jennifer Jason Leigh, longe das telonas desde 2005 e que, incrível e quase irreconhecível como Daisy Domergue, levou o prêmio da National Board of Review como Melhor Atriz Coadjuvante. Jennifer faz falta, é uma grande atriz.

Me incomoda a questão do humor, tão bem utilizada de forma mais sarcástica — mesmo quando havia exagero ou increduliade em cena — emfilmes como  “Kill Bill” ou “Bastardos Inglórios”, e que na segunda fase de “Os Oito Odiados” parece um pouco forçado e exagerado, quase pastelão sem necessidade. Mas talvez ter concentrado a “vibe tarantinesca” quase no final de um filme tão longo tenha levado o espectador a essa impressão. No final das contas, é mais um ótimo filme de Tarantino, apesar de não um de seus melhores. Compre sua pipoca, coma devagar durante a primeira metade e divirta-se, na medida do possível.

Tommy Beresford

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~ por Tommy Beresford em janeiro, 07 2016.

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