[Resenhas] Jogos do Poder

Jogos do Poder, cartazRepleto de astros hollywoodianos e em meio a uma safra em que os filmes mais premiados (Onde os Fracos Não Têm Vez, Sangue Negro, Juno, em especial) não apresentam exatamente “aquele padrão cinemão” com o qual os espectadores estão “acostumados” (são necessários mesmo muitos aspas), eis que Jogos do Poder (“Charlie’s Wilson’s War”, no original) pode ser inserido exatamente no meio do caminho.

Talvez justamente isso não o torne tão atraente quanto outras produções de 2007 (curiosamente, o filme de Mike Nichols só foi lembrado em uma categoria para o Oscar e o BAFTA e, embora tenha concorrido a cinco Globos de Ouro, saiu sem levar nenhum). Mas é um bom filme.

“Jogos do Poder” fala sobre duas personagens pouco conhecidas da (sempre questionável) história americana mas que foram cruciais na luta “do Afeganistão” (mais aspas, justamente pela incisiva e financeira participação americana) contra a invasão da União Soviética. Em um roteiro basicamente de bastidores, Tom Hanks (o Charlie Wilson do título original) e Julia Roberts fazem justamente esta dupla de influência decisiva nos rumos dos acontecimentos: embora já tenham feito trabalhos melhores, os dois brilham nas cenas em que contracenam.

É muito bom ver que Amy Adams não parece ser atriz de um papel só, pouco depois de ter assistido (e me deliciado) com seu trabalho em Encantada, e ela está bem no papel da assistente de Hanks, um papel pequeno mas onde ela mistura docilidade e eficiência em doses corretas.

Mas bom mesmo é assistir a Philip Seymour Hoffman em mais uma interpretação irretocável. Foi justamente Hoffman quem concorreu ao Oscar (sem ganhar) e o único que levou algum prêmio pelo filme, “Actor of The Year” no prêmio da Central Ohio Film Critics Association – se bem que também por dois outros filmes de 2007, “Before the Devil Knows You’re Dead” e “The Savages”. Em “Jogos do Poder”, Hoffman e Hanks fazem cenas deliciosas juntos.

Como curiosidade, juntando Hanks, Julia, Hoffman e o diretor, são cinco Oscars por cinco filmes diferentes em épocas diversas. Mike Nichols, por exemplo, levou o seu em abril de 1968 por “A Primeira Noite de um Homem” (“The Graduated”), de 1967, tendo vencido pesos pesados como Arthur Penn (por “Bonnie & Clyde”), Stanley Kramer (“Adivinhe Quem Vem Para Jantar”), Richard Brooks (“A Sangue Frio” e Norman Jewison (“No Calor da Noite”, o melhor filme daquele ano).

Mesmo não sendo brilhante, “Jogos do Poder” vale a pena a conferida. Nem que seja para ver Julia Roberts linda-loura-poderosa, Philip Seymour Hoffman com cara de mafioso e Tom Hanks como clone de Zeca Pagodinho. 🙂

Jogos do Poder, cena

~ por Tommy Beresford em março, 06 2008.

Uma resposta to “[Resenhas] Jogos do Poder”

  1. Primeiro acesso! Êêêêêêêê!!!
    Gostei do filme. Hoffman está fantástico!
    Bjs!

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