[Resenhas] Aladdin (2019)

Por mais de uma vez citei, em minhas resenhas, o que chamo de “tríade de ouro” do renascimento da Disney: “A Bela e a Fera” (1991), “Aladdin” (1992) e “O Rei Leão” (1994), os três lançados em sequência, os primeiros realmente clássicos e inesquecíveis depois de mais de três décadas de “baixa” dos filmes da Disney, se pensarmos no primeiro ciclo de excelência de 1937 (com “Branca de Neve e os Sete Anões”) até 1959 (com “A Bela Adormecida”). Foi em “A Bela e a Fera” que os estúdios Disney apresentaram suas primeiras — ainda tímidas, mas muito bem sucedidas — interferências da computação gráfica: mais que bem-vindas, elas explodiram, no melhor dos sentidos, no desenho seguinte, justamente o filme sobre o pequeno ladrão que sonha em morar num palácio. “A Bela e a Fera” virou live action em 2017, após uma expectativa enorme e, felizmente, o longa com atores era excelente, à altura do desenho. Em 2019, foi a vez de “Aladdin”, e este também não decepciona.

O filme, dirigido por Guy Ritchie, não inventa muito. Há cenas bem próximas do desenho original e, embora tenha havido algumas críticas justamente ao uso da computação gráfica que não teria sido tão cuidadosa como deveria, o espectador não chega a notar quaisquer defeitos. O roteiro se mantém fiel à história contada em 1992, com alguns acréscimos e retiradas. Talvez a maior alteração tenha sido na força que Jasmine agora ganha: no desenho, ela já reclamava de não ser ouvida, mas no filme de 2019 ela ganha realmente força de empoderamento, muito bem reforçada pela ótima interpretação de Naomi Scott (de “Power Rangers”). A atriz foi a escolha perfeita para a princesa presa às leis feitas por homens e a um reino do qual não pode sair.

Já Aladdin, que sonha em morar num castelo, também recebeu uma excelente escolha. O desconhecido Mena Massoud traz uma interpretação que faz juz ao personagem do desenho. O casal funciona muito bem, inclusive no que se refere ao tom divertido do filme. O desenho era ainda mais cômico, mas dessa vez dois personagens especialmente carregam nas costas os melhores momentos de humor do longa. Um é o gênio, claro, e a outra é Dalila, interpretada por Nasim Pedrad, atriz de Teerã com diversas participações em séries de TV americanas, que faz uma personagem que não existia no desenho: excelente, ela nos oferece alguns dos momentos mais engraçados do filme.

Naomi Scott e Nasim Pedrad

E o Gênio… A mais difícil tarefa deste “Aladdin” de 2019 era conseguir uma interpretação “em carne e osso” à altura da dublagem inesquecível do saudoso Robin Williams. A escolha de Will Smith foi perfeita: ele oferece tudo o que o Gênio exagerado do filme, um dos melhores personagens já criados pela Disney, precisa.

Como fã, três eram os momentos mais esperados por mim ao sentar na sala escura para assistir à nova versão, e os três ápices do filmes não decepcionam. Tanto a primeira aparição do Gênio quanto a entrada do “Princípe Ali” são triunfais, à altura do desenho e com todos os excessos que eram necessários. Impossível não cantar e não se deliciar nesses dois dos principais números musicais da incrível trilha sonora de Alan Menken. O terceiro destaque, a cena do casal no tapete voador, fica um pouco aquém, mas a força do clássico “A Whole New World” (“Um Mundo Ideal”, em português) não deixa a peteca cair. Muita gente cantou no cinema. Além destes momentos, a cena após o “The End” é Bollywood pura, e todos os números feéricos de dança são ótimos.

Will Smith e Mena Massoud

Por falar em canções, há uma música nova, interpretada por Jasmine, feita especialmente para este filme (a cena, estranha e com efeitos especiais sem sentido, parece meio deslocada, mas foi feita justamente para ratificar a força da personagem, e funciona bem tanto em português quanto em inglês). A propósito, assisti em dias seguidos às duas versões, legendada e dublada, e é preciso destacar o brilho de nossos dubladores brasileiros. Gloria Groove dubla Aladdin com muita propriedade. Lara Suleiman, como Jasmine, e Rodrigo Miallaret, como seu pai, o sultão, não ficam atrás (vale o registro de que Rodrigo também dublou o pai da Bela no filme de 2017). Impossível não citar Márcio Simões, que brilhantemente dublou o Gênio tanto no novo filme quanto no desenho de 27 anos atrás. Márcio brilha.

Navid Negahban e Marwan Kenzari

Os animais do filme têm participação menos interessante do que no desenho: tanto o macaco Abu quanto a arara Iago são menos “eloquentes” dessa vez. Mas talvez o único grande problema do filme seja o vilão. O Jafar do desenho era grandioso, maléfico desde sua figura angulosa e com voz a grave (especialmente em português com a dublagem do saudoso Jorgeh Ramos). A escolha de Marwan Kenzari (de “Assassinato no Expresso do Oriente“) como Jafar para o filme não foi feliz. No desenho, Jafar é tão protagonista quanto Aladdin; no filme, não consegue força para deixar de ser um coajuvante. Pouco carisma, pouca carga dramática, um vilão aquém das expectativas, que só bem no final do longa consegue “crescer” (literalmente).

De resto, não deixem de assistir, e leve as crianças que estejam à sua volta. Um clássico como Aladdin merece ser visto e revisto sempre.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em maio, 27 2019.

Uma resposta to “[Resenhas] Aladdin (2019)”

  1. Muito divertido…

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