[Resenhas] Divertida Mente

Divertida Mente

Já bastaria o lindo e emocionante curta “Lava”, que o precede na exibição dos cinemas e mantém a ótima tradição de excelentes curtas que acompanham os filmes produzidos pela Disney/Pixar. Mas “Divertida Mente” oferece muito mais. Um novo universo lúdico nos é oferecido, e basta lembrar que já estivemos dentro d’água (“Procurando Nemo”), nos pesadelos das crianças (“Monstros SA”) e, talvez no melhor dos exemplos, no mundo dos brinquedos (a incrível saga “Toy Story”). O que mais ainda há para ser inventado, se até pelo futuro já passeamos (com “Wall-E”)?

Desta vez, entramos dentro da cabeça de uma criança. Mas não é assim, de qualquer jeito, e sim por meio de um incrível roteiro de Pete Docter (de “Up – Altas Aventuras”), Josh Cooley e Meg LeFauve. Pode a princípio parecer abstrato demais para uma criança de 6, 7 anos — mas até essa abstração é muito bem retratada no filme. Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e “Nojinho”, eis o santíssimo quinteto que comanda a mente de Riley, cada um com uma cor e, óbvio, temperamento distintos, e que são apresentados de forma bem acessível para as crianças, mas ao mesmo tempo profundas em conteúdo para os adultos. Convenhamos que não é uma tarefa fácil transformar conceitos e psiquês em um projeto de animação cinematográfica, e isso é feito de maneira brilhante.

É importante perceber que, ao contrário de tantos outros desenhos, não há vilão, nem mesmo os tais conceitos considerados “negativos”, como o Medo, a Raiva… São Alegria (dublagem de Amy Poehler/Miá Mello) e Tristeza (Phyllis Smith/Katiuscia Canoro) quem comandam as cenas mais “cabeça”, enquanto os demais três nos trazem a risada certeira. Em tempo: se as grandes produções americanas “de carne e osso” do século 21 são acusadas de não oferecerem grandes papéis femininos, “Divertida Mente” está repleto deles, felizmente.

Algumas sacadas se perdem na tradução (“train of thought”, “linha de pensamento”, é um dos exemplos), mas a dublagem é boa ainda que tenha sido recheada de atores-não-dubladores-profissionais. Alegria e Tristeza percorrem a arquitetura cerebral da menina, sem que isso transforme o filme num emaranhado de difícil compreensão. Se o filme é uma metáfora sobre desejos, dilemas, crescimento e amadurecimento pessoal, para quem assiste é na verdade uma deliciosa jornada, que nos faz… pensar, com ou sem trocadilho. E é importante perceber que a Tristeza, tão comumente vilanizada em tempos de “vamos valorizar a euforia positiva da felicidade” que alguns martelam nas redes sociais, é considerada fundamental na condição humana.

Se não tiver filhos ou sobrinhos para levar, vá assim mesmo. Sucesso no Festival de Cannes, “Divertida Mente” é, sem dúvida, um dos melhores filmes da Pixar e do ano de 2015.

Tommy Beresford

divertida-mente

~ por Tommy Beresford em junho, 24 2015.

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