[Resenhas] Os Invisíveis

Poucas informações eu tenho sobre a história de meus antepassados, mas sempre imaginei que existissem laços que me ligariam a parentes que possam ter passado pelas agruras da segunda guerra mundial. Mera suposição, mas baseada nas emoções que qualquer filme ligado ao tema sempre me causam. Ao começar esta resenha, imediatamente me vem à mente que estes tempos sombrios podem estar entranhados em mim e, neste outubro de 2018 em que escrevo esta resenha, inacreditavelmente estão redivivos no meu próprio país os fantasmas desta época, haja vista a absurda e crescente aparição de movimentos e manifestações violentas de intolerância em meio a uma eleição presidencial que não as criou, mas as fez ressurgir com força em pleno século XXI.

Tudo isso torna ainda mais visceral minha visão sobre “Os Invisíveis – Nós Queremos Viver”. O longa, dirigido e escrito por Claus Räfle (com a colaboração no roteiro de Alejandra López), conta a história de apenas quatro dos cerca de mil e setecentos sobreviventes, segundo as estimativas, que foram acolhidos e “camuflados” – daí o título do filme – por famílias de uma Alemanha em guerra e em situação de total observação pelos adeptos de Hitler. Alemães que, em gestos de generosidade e principalmente coragem, não negaram ajuda nem mediram esforços para salvar vidas: seres humanos ajudando outros seres humanos. Joseph Goebbels, ministro de Hitler, declarou a Alemanha “livre de judeus” em junho de 1943, mas esses milhares de “invisíveis” conseguiram provar que, em meio à intolerância que dizimou milhões de pessoas, a solidariedade ainda poderia ser maior que a barbárie.

Hanni Lévy, Eugen Friede, Ruth Arndt e Cioma Schönhaus tiveram suas histórias contadas neste belíssimo filme, que mistura os depoimentos destes quatro sobreviventes (infelizmente, dois deles faleceram antes do lançamento do filme) e as situações contadas por eles, interpretadas por excelente elenco numa bem dirigida dramatização dos acontecimentos da época. Destaque para o Cioma jovem da ficção, interpretado por Max Mauff (de “Sense 8”). Recomendo imensamente. E torço sempre para que guerras e extermínios passem a ser páginas de nosso passado e não perigos para nosso futuro.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em outubro, 18 2018.

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