[Resenhas] Fim dos Tempos

Ninguém duvida que o diretor M. Night Shyamalan faça filmes “diferentes”. Mas isso não necessariamente gera filmes excelentes, muito menos que agrade ao público em geral. Com “Fim dos Tempos“, o diretor tentou fazer uma espécie de “thriller da terra em transe” com um tom bem menos apoteótico que outras produções que falam de teorias do fim do mundo e afins, mas nem por isso menos apocalíptico.

O diretor fez filmes emblemáticos, como “O Sexto Sentido”, mas vem de “A dama na água”, um longa que agradou apenas a alguns poucos (Shyamalan é rotulado como um diretor do tipo “ame ou odeie”, do que eu discordo). “The happening” (título original) traz um roteiro mais simples, aparentemente sem grandes excessos, filmado mais em cima de silêncios do que de explosões ou desastres. Mas infelizmente isso não gerou excelência.

A parte “thriller” até é eficiente: longe de ser um filme de terror, vá preparado para tomar alguns bons sustos. Mas a produção oferece em uma hora e meia ao espectador muito mais de incompreensível e bizarro do que de realmente atrativo – na verdade, a história é interesante, mas ao que parece não foi eficientemente transferida do papel (ou da cabeça de Shyamalan) para a telona, ficou no vento, no tal vento que é (literalmente) o condutor dos males do filme. A “moral da história” – que no fundo seria as consequências dos rumos que o mundo moderno está dando ao meio em que vivemos – fica meio perdida em meio aos tais silêncios nada eloqüentes do filme. Pior: quando resolver explicar, Shyamalan explica o que já é óbvio.

Os (papéis dos) atores do elenco são bem estranhos, mal apresentados. Zooey Deschanel é qualquer nota, mas não sei se é culpa da atriz ou da personagem que lhe deram. Há momentos em que você não acredita que certos diálogos possam estar saindo da boca de atores como Mark Wahlberg (por sinal, em atuação bem inferior, canastrona mesmo, em relação aos seus ótimos desempenhos anteriores). Qualquer esperança que a produção se mostre um grande filme se esvai quando o sempre ótimo John Leguizamo – em papel curiosamente “normal” para um ator que fez papéis como o de “Moulin Rouge” – sai de cena: o filme começa a cair justamente ali. E o elenco de apoio… bem, o elenco de apoio é no mínimo estranhíssimo.

Curiosamente, talvez a coisa mais pé-no-chão do filme seja o desaparecimento das abelhas que, como sabemos, de fato vem acontecendo e não se sabe o motivo… Muito menos o motivo do diretor ter escolhido soluções tão sem criatividade (como, por exemplo, usar noticiários de TV para narrar os acontecimentos ao redor, de forma banal): dá a impressão de que o orçamento havia sido bruscamente cortado em um determinado momento. Não, não se espera nem se deseja de Shyamalan grandes efeitos especiais, mas muito mais criatividade.

Resumindo: tudo parece convencional e burocrático demais, em passos de tartaruga, ainda que meio bizarro. No relatório sobre o filme distribuído para a imprensa, Shyamalan relata que este teria sido seu filme mais fácil de fazer. Eu gostaria eu que não tivesse sido assim. O trailer, por sinal, é melhor que o filme.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em junho, 19 2008.

4 Respostas to “[Resenhas] Fim dos Tempos”

  1. da curta filmografia dele, tem mais filmes que eu gosto do que desgosto – mas ainda não vi a dama na água.

  2. Olha eu de novo aqui 🙂 Agora vi sua resenha e concordo com cada letrinha dela.
    Aliás, no meu outro comentário eu esqueci de dizer algo que já é óbvio. Seu blog é demais. Estou adorando navegar por ele.
    Parabéns!

  3. […] Pior filme “Super-Heróis – A Liga da Injustiça” e “Espartalhões” “Fim dos Tempos“ “A Gostosa e a Gosmenta” “Em Nome do Rei” “O Guru do […]

  4. É, filme complicado esse…
    Bom argumento, base científica meio besta, um “terror light”, mesmo assim elegante, com pouco sangue e muita “insinuação”, que é o melhor do terror, sob meu ponto de vista. Mas a história do casal central é tão boba, que não faz sentido contrastar com o “final dos tempos”, um verdadeiro “happening” que Shyamalan promete mas… não cumpre! Bizarro…

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