[Resenhas] Lincoln

lincoln cartaz

Quando a Imperatriz Leopoldinense, na época sob a batuta da excelente Rosa Magalhães, levantou seu segundo bicampeonato nos anos 90 (mais especificamente 1994 e 1995 — o primeiro fora em 1980 e 1981), a escola de samba carioca foi criticada. Foram campeonatos merecidos? Foram. Rosa Magalhães já havia feito grandes carnavais em outras escolas, como o Salgueiro e a Império Serrano, pela qual foi campeã (com Licia Lacerda) em 1982, com “Bum Bum Paticumbum Prugurundum”. A questão é que, para ser novamente campeã numa fase em que os desfiles ficavam cada vez mais disputados, Rosa jogou pe(n)sadamente com o regulamento. Afinal, o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro não é somente o maior espetáculo da Terra, mas é um campeonato, sujeito a regras bem definidas que tentam nortear a subjetividade dos jurados. A carnavalesca caprichou em todos os quesitos, e a Imperatriz, mesmo sem emocionar o público, foi campeã sendo quase perfeita em todos os quesitos.

Foi esta a sensação que tive ao sair de Lincoln. Um excelente filme, sem dúvida. Atuações perfeitas, direção competente de Steven Spielberg, bela fotografia, direção de arte caprichada, trilha sonora discreta de John Williams, roteiro simples mas eficiente: tudo tecnicamente perfeito, tudo “nos conformes”. O filme é longo mas você nem vê o tempo passar: não é chato. Mas…

Não emociona, ainda que o tema da escravatura sempre me emocione. Daniel Day Lewis mais uma vez constrói um belo personagem e deve levar o Oscar daqui a algumas semanas: ganhou a maior parte dos prêmios que disputou, incluindo o Globo de Ouro e o Screen Actors Guild. Tommy Lee Jones roubas as poucas cenas das quais participa, outro forte candidato a coadjuvante (também levou o Screen Actors Guild). Duas vezes oscarizada, Sally Field (uma atriz que adoro) se esforça e faz com dignidade, embora sem brilho, a esposa do presidente: já levou três prêmios pelo papel, mas não acredito que vença de Anne Hathaway, a grande favorita da categoria de Melhor Atriz Coadjuvante.

É um ótimo filme, não deixe de assistir. Mas continuo achando (antes de assistir ao esperado Os Miseráveis e ao esnobado O Mestre) que Django Livre é o filme do Oscar, mesmo que não leve a estatueta.

Tommy Beresford

lincoln

~ por Tommy Beresford em janeiro, 29 2013.

Uma resposta to “[Resenhas] Lincoln”

  1. Viu? É por isso que curto suas resenhas amigo Tommy: sabe aquela frase”antiga” (pra não dizer do século passado!) “tirou daqui ó”? Pois é, vc disse tudo que eu queria dizer…

    Mas… vamos e convenhamos: Daniel Day Lewis faz o que quiser no cinema, não é não? Sai de sua “casinha” na lá na Inglaterra a cada dois ou três anos pra filmar e, não raro, amealha um Oscar! (ou, pelo menos, uma indicação, o que já não é pouco…).

    Tirando o “engano” que foi “Nine” – uma piração que, nem sei porque, ele se meteu – sempre escolhe bem seus papeis… Ou melhor “é escolhido” por eles. A dedo…

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