[Resenhas] Um Senhor Estagiário

_um senhor cartaz

Nancy Meyers é sempre lembrada por filmes interessantes como “Alguém Tem Que Ceder”, “Do Que as Mulheres Gostam”, “Simplesmente Complicado” e, em longínquos 1998, o delicioso “Operação Cupido”, favoritíssimo na lista de minha filha e filme que lançou a ainda criança (e ainda não problemática) Lindsay Lohan. Minha preocupação com “Um Senhor Estagiário” era a dúvida de que este fosse um “mais do mesmo” na carreira da diretora. Vendido como um filme sobre as diferenças no modo de vida “atual e antigo” ou sobre como recomeçar a vida na meia idade, o longa se revela muito mais um tratado sobre a “mulher moderna”, sempre às voltas entre as funções de trabalhadora, esposa e mãe (eita, o quanto de modernidade isso tem de fato?).

Na verdade, Meyers acaba criando “dois filmes”. No primeiro terço do longa, o foco é em Ben, personagem de Robert De Niro, e sua forma de entender a tal da “vida moderna” agora que está aposentado e viúvo, seus hábitos antigos se mesclando às novas necessidades, a possibilidade de voltar de alguma forma ao mercado de trabalho e a relação com outros empregados bem mais jovens. Jules, personagem de Anne Hathaway, aparece nesta fase como mera coadjuvante.

Logo as posições se invertem: De Niro acaba virando quase um coadjuvante de luxo para Hathaway aparecer… e brilhar. É impressionante como Anne Hathaway é talentosa, mesmo em um personagem que, aparentemente, não apresenta tantos desafios assim. Em “Um Senhor Estagiário” há um fenômeno curioso: De Niro tem pouquíssimas falas, seu Ben é muito mais observador e “mão na massa” do que propriamente um homem de grandes discursos, e ainda assim mostra-se muito útil na vida dos que o cercam. Já Jules dá a Hathaway grandes “bifes”, que a atriz aproveita com muita propriedade. Há cenas incríveis como a do quarto de hotel, por exemplo, já no terço final do filme. É nesta parte final que o filme mostra-se mais maduro, deixando de lado o humor com um pé no pastelão ensaiado na chegada de Ben ao novo emprego em meio a seus companheiros de trabalho.

No fundo, “Um Senhor Estagiário” é um filme simples e honesto, sem muitos parangolés e que, nas mãos de outro diretor e roteirista, poderia ter se tornado algo enfadonho ou sem graça. Acabou nos proporcionando sorrisos e reflexões sem muito esforço. Para os cinéfilos, há também um momento de emoção fora do roteiro: pensar em Robert De Niro, de tantos personagens fortes e premiados nos anos 70 e 80, fazendo agora o papel de um simples “senhor idoso”, quase escada para a ainda muito jovem mas cada vez mais madura Anne Hathaway…

Seja como for, me surpreendi positivamente com o filme: compre sua pipoca e passe duas agradáveis horas no ar condicionado do cinema.

Tommy Beresford

_um senhor estagiario

~ por Tommy Beresford em outubro, 16 2015.

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