[Resenhas] La La Land – Cantando Estações

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Antes de qualquer coisa, ter levado um número recorde de sete Golden Globes não faz com que “La La Land” seja franco favorito ao Oscar, como alguns portais estão celebrando. O Globo de Ouro tem categorias distintas para Drama e Musical/Comédia, e é o ainda inédito no Brasil “Moonlight” o franco favorito na categoria de Melhor Filme, tendo vencido até agora a grande maioria das premiações, incluindo o próprio Globo de Ouro (que, também ao contrário do que a mídia ama dizer todos os anos, nunca foi prévia de Oscar…).

Posto isso, é preciso começar esta resenha com… “La La Land – Cantando Estações” é maravilhoso. Tem todos os componentes técnicos que um grande filme precisa, dois protagonistas arrasadores e um roteiro enxuto e sem parangolés (embora com algumas pequenas bobagens) que deixa o emocional do espectador fluir. Há quem não goste de musicais, e há muita música e dança no filme, em longas e deslumbrantes cenas de câmera única: para estes, fica o aviso de “não gosta, nem vá”. A fotografia de Linus Sandgren é incrível e, merecidamente, já levou até agora 15 dos principais prêmios de “Best Cinematography” do circuito (seu principal concorrente será, mais uma vez, “Moonlight”, que já levou seis). E a trilha sonora, de Justin Hurwitz e também já bastante premiada (onze prêmios, contra seis de Mica Levi por “Jackie”), é uma delícia. Impossível não se encantar com “City of Stars“, a linda canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul vencedora do Globo de Ouro, uma música para ouvir várias e várias vezes… Mas “La La Land” não é só um filme de músicas: o silêncio tem relevância fundamental em alguns momentos.

Sempre achei Ryan Gosling um bom ator, e em sua carreira já acumulou ótimos trabalhos, como o pouco conhecido “Half Nelson – Encurralados”, de 2006 (pelo qual concorreu ao Oscar em 2007), “Blue Valentine”, “Tudo Pelo Poder”, “Amor a Toda Prova”, o recente “A Grande Aposta” e principalmente “A Garota Ideal” (2007), quando efetivamente confirmou seu talento, talvez seu melhor papel. Gosling está muito bem em “La La Land”, merecendo o Globo de Ouro que recebeu, e faz a escada ideal para a verdadeira protagonista do longa, uma Emma Stone simplesmente deslumbrante…

Emma também levou o Globo de Ouro e a Volpi Cup em Veneza, além de prêmios em Detroit, Phoenix e Utah, mas no Oscar (ao qual já foi indicada como coadjuvante por “Birdman”) pode enfrentar pelo menos três pesos pesados: Isabelle Huppert, Natalie Portman e Amy Adams. Sua Mia cativa e emociona na medida certa. Premiada ou não, Emma Stone brilha, brilha e brilha. E não posso deixar de citar as pequenas pontas de JK Simmons (que levou o Oscar por “Whiplash”) e John Legend, músico incrível (vencedor do Oscar e do Globo de Ouro com a canção “Glory”, do excelente e imperdível “Selma”).

É preciso destacar o trabalho do roteirista e diretor Damien Chazelle, que aos 31 anos já tem no currículo o incrível e já citado “Whiplash”. Damien divide a crítica e a possibilidade de Oscar com Barry Jenkins de “Moonlight” numa categoria onde tudo pode acontecer, e dá o tom de “antigo” ao filme sem perder a excelência da modernidade, além de ter construído um final de filme simplesmente sensacional. O diretor não economiza nas citações, e todas muito explícitas: “Casablanca” (1942), “Sinfonia de Paris” (1951), “Cantando na Chuva” (1952), “Juventude Transviada” (1955), “Os Guarda-chuvas do Amor” (1964), estão todas lá, pra alegria do cinéfilo: referenciadas e reverenciadas. Desde a impressionante cena inicial, Damien mostra que bebe nessas fontes mas que, especialmente, é um diretor que “pode muito”, uma boa esperança para o cinema que vem aí.

Não espere nenhuma seriedade ou engajamento: para isso há outros diversos ótimos filmes na safra 2016/2017. “La La Land” é para encantar, e consegue, e é bom mostrar ao público que há frescor entre tantos super heróis e comédias muitas vezes rasteiras. Lamento muito a programação pífia para uma primeira semana, em pouquíssimas salas… Mas aos que entendem, nestes tempos bicudos, a pergunta “Por que você diz ‘romântico’ como se fosse um palavrão?” feita pelo personagem de Gosling no filme, fica a vontade de que procurem assistir: boa diversão e enterneçam-se.

Tommy Beresford

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~ por Tommy Beresford em janeiro, 13 2017.

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