[Resenhas] Tony Manero (e o novo Cine Joia)

Hoje o texto pode ser dividido em três partes

(1) O novo Cine Joia

Uma semana depois da inauguração, eis-me conferindo a nova fase do tradicional Cine Joia, em Copacabana, que ficou anos fechado e agora volta reformado e com programação diferenciada. Tudo está limpo, bem organizado, as cadeiras com novas cores, o teto e as paredes num preto impecável… No mesmo lugar está o banheiro, e pelo menos o masculino agora está pintado de azul escuro, mas continua com sua característica de estar próximo demais da plateia a ponto de ouvirmos a descarga. Não há pulgas por enquanto, felizmente, mas o característico cheiro de mofo ainda existe, embora discreto. Uma grande conquista para o público que adora cinemas de rua, ainda mais contando com uma programação que foge dos lançamentos e com um atendimento dedicado e pessoal. Não deixem de conferir.

(2) Ilha das Flores

O curta de Jorge Furtado é de 1989, mas somente agora pude conferir. Outro bom resgate do Joia: a exibição de um curta antes do longa. E que curta: “Ilha das Flores” é imperdível. Mais que isso: absolutamente atual.

(3) Tony Manero

Psicopata ou apenas um obcecado por um personagem mítico ? O protagonista de “Tony Manero” é Raul, vivido com excelência por Alfredo Castro, um cinquentão de poucas palavras, fã compulsivo de “Os Embalos de Sábado à Noite”, a ponto de assisti-lo quase todos os dias. O filme do cineasta Pablo Larrain mostra o cotidiano de um homem decadente em um Chile decadente, em plena era Pinochet, decorando cada gesto, fala e coreografia do Tony Manero que John Travolta eternizou.

Quem se lembra do filme americano vai recordar que lá também o protagonista era um homem cujas perspectivas de brilhar eram as noites de sábado onde ele arrebentava dançando. O fã chileno sonha com essa oportunidade, ensaindo-a num palco ruim de um bar ruim mas guardando um terno branco semelhante ao do astro adorado, que será talvez vestido pela primeira vez num concurso de imitações da TV local. Pequenos furtos e até assassinatos fazem Raul mostrar seu lado doentio, mas o filme não descamba para este lado, tentando mostrar que a decadência era geral: mentes, bairros, empregos, esperança.

O roteiro — excelente em cima de uma fotografia quase tosca — é muito bem desenvolvido mesmo com poucos recursos e sem cair no tédio ou no melodrama óbvio. Pegue em DVD: recomendo.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em maio, 16 2011.

Uma resposta to “[Resenhas] Tony Manero (e o novo Cine Joia)”

  1. Um ótimo programa para se retornar ao velho/novo Cine Joia. Vale a pena frisar que o excelente filme “Tony Manero” se passa durante a ditadura do genaral Pinochet, no Chile dos anos 70. Um brega mosáico do que a repreensão é capaz de fazez com a mente das pessoas.

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