[Resenhas] Cazuza – O Tempo Não Pára

Acabei de vir de “Cazuza – O Tempo Não Pára”, de Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Um sessão curiosa, última e tardia exibição, com atraso de quase 15 minutos (há muitos anos não enfrento atraso de filme), somente um trailer (“A Dona da História”, com os mesmos Marieta Severo e Daniel de Oliveira). Uma grande fila, com outra curiosidade: uma caravana da cidade de Viçosa imediatamente atrás de mim, cerca de 50 adolescentes, estudantes sabe-se lá do quê. Gente nas escadas, casais de todos os tipos e opções sexuais. A grande maioria da audiência tinha menos de 20 anos, e os que cantavam – e era inevitável acompanhar o personagem original ou seu inspirado intérprete – eram poucos, mas todos com mais de 30, como eu. Sintonizados com todas as variações originais das canções.

Daniel de Oliveira não “encarna” Cazuza, mas nem foi necessário, talvez porque não fora possível, ou vice-versa. Mas o interpreta com um empenho e uma riqueza de alma e corpo que impressiona, emocionando em vários momentos, mesmo os que não são tristes. O resto é tão somente o resto: apesar do excelente elenco de apoio, incluindo aí Marieta Severo, Reginaldo Farias e Emílio de Mello, o filme é de Daniel de Oliveira mesmo, não tinha como não ser.

Mas não é um filme maravilhoso, se é isso que vocês querem saber. E, quer saber mais ? Não precisava ser. Talvez na ânsia de fugir dos clichês e de cair em pieguices, Sandra Werneck deu menos ênfase à fase solo do artista, que merecia ser mais longa, mais aprofundada. Mas não desmerece a obra. E, repito, emociona. Vai ter sempre o grupo dos que vão citar, entre resmungos, “Daniel Filho”, “Rede Globo”, “excesso de mídia”, etc. Esqueçam, assistam, “fiquem”, namorem o filme e relembrem Cazuza.

Cazuza foi e sempre será um ícone, mesmo que uns torçam o nariz… e, sim, eles existem aos montes. Mas para mim é um ícone não somente pela intensidade com que viveu e lutou pela vida, mas pelo que representou musicalmente: mais uma vez, mesmo que uns torçam o nariz. “O Tempo Não Pára” – a canção, não o filme – para mim é um clássico tanto quanto qualquer Bossa Nova jobiniana. E como classificar “Codinome Beija-Flor” ? São muitas que me tocam.

Saí do cinema deprê. Fiquei para os créditos. De pé, à beira da escada. Andei sem rumo mesmo nas ruas perigosas de Copa. Doía o peito, mas não o lado esquerdo, e sim o direito, vá entender. Caí em prantos, ainda perambulante, só após a meia-noite, unindo as recordações de anos que acompanhei apenas adolescente, algumas canções – dele e de outros – que ficarão sempre vivas, o dia dos namorados que não poderei viver esse ano, a comparação de tanta intensidade com o mundo raso e frio à minha volta. Mas que ferve nas entrelinhas, mesmo que muitos não saibam – ou não queiram, ou não possam – mais sentir.

Me embebedei com dois kibes quentes no Habib’s, a seco. E sobrevivi. Pelo menos para escrever esse post.

Eu sou mais um cara. Quanto a Cazuza… desnecessário dizer.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em junho, 12 2004.

Uma resposta to “[Resenhas] Cazuza – O Tempo Não Pára”

  1. […] citar filmes que, se não foram brilhantes, serão sempre lembrados, os mais antigos como “Cazuza – O Tempo Não Para” e “Gonzaga, de Pai para […]

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