[Resenhas] O Escafandro e a Borboleta

O corpo de Bauby está imóvel mas seu olho esquerdo, sua audição, sua imaginação e suas memórias estão em total funcionamento: apenas isso já mostra que “O Escafandro e a Borboleta” é um filme triste. Mas nem por isso é um filme sobre desesperança.

A impressionante história é real: ‘ditada’ pelo paciente, toda a saga da chamada ‘síndrome de lock-in’ gerou um livro, que por sua vez recebeu uma adaptação primorosa para chegar aos cinemas. Uma fotografia excelente tornou a obra delicada e não cruel: a visão do mundo é sempre a de Bauby, seja a real, debilitada pelas perdas físicas, seja a das memórias e fantasias de alguém que só tem na mente a força motriz para continuar vivendo. A imobilidade do protagonista mais que emociona: faz pensar.

Não há apenas uma ou outra cena emocionante, e nenhuma é gratuita. O reencontro com os filhos é de chorar baldes. Não é suficiente falar da difícil e brilhante interpretação de Mathieu Amalric (que reaparece em breve vilão do novo filme do 007, “Quantum of Solace”): a força do filme vai além das performances individuais deste ou daquele ator. Destaque para as duas conversas – antes e depois do derrame – com seu pai (um Max von Sydow arrasa-quarteirão).

O cineasta americano (e artista plástico) Julian Schnabel foi premiado no Festival do Cannes do ano passado com o troféu de melhor direção e o filme ainda levou dois Globos de Ouro (o diretor levou, além do Golden Globe, o prêmio do Boston Society of Film Critics Awards e uma indicação ao Oscar). O roteirista Ronald Harwood (de “O Pianista”) levou um Bafta pela adaptação. Janusz Kaminski levou vários prêmios de Melhor Fotografia. Como Melhor Filme Estrangeiro, ganhou mais de 10 prêmios internacionais. Merece todos.

Não perca, e leve seu lenço. Um dos filmes do ano.

Tommy Beresford

Leia sobre o livro clicando aqui.

Em tempo: caso você tenha chegado aqui procurando alguma resenha crítica do filme para um trabalho escolar, lembre-se que o nome do autor e, em especial, o estilo de quem escreve fazem a grande diferença (e não enganam o professor, ainda que você mude uma parte ou outra do texto).

~ por Tommy Beresford em julho, 23 2008.

2 Respostas to “[Resenhas] O Escafandro e a Borboleta”

  1. Impressionantemente belo, assustadora e irritantemente fiel à perspectiva do protagonista. O filme é ótimo em sua totalidade, mas a direção de Schnabel é fantástica.

  2. Vi o filme e adorei a história, a maneira como ele descreve a prisao que ele está em seu próprio corpo e vivi uma vida paralela pela imaginaçao, a vontade de continuar apesar de todas as dificuldades, e tudo o que ele conseguiu realizar mesmo paralisado, mas usando os mecanismos de comunicaçao realizadas pela fono e assim conseguiu contar sua história.

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