[Resenhas] Histórias Cruzadas

Seis mulheres.

Começar assim a resenha de um filme que recebeu em português o título de “Histórias Cruzadas” pode dar a falsa impressão de que é mais uma daquelas produções cheias de histórias aparentemente paralelas que se cruzam em algum ponto do filme.

Mas não é o caso. Começar com “seis mulheres” é apenas uma forma de direcionar esta resenha através de seis das personagens principais deste simples porém belo filme de Tate Taylor (diretor do longa, e que pode ser visto como ator em “Inverno da Alma”).

Bryce Dallas Howard faz aquele famoso papel “parece fácil de interpretar por ser quase uma caricatura, mas é bem mais difícil que aparenta ser para o público”. Sem ser exatamente uma vilã típica justamente pelo tal tom caricato que a personagem pedia, a atriz corria o grande risco de passar do ponto, mas conseguiu gerar ódio mas ao mesmo tempo faz a plateia entender que ela era a verdadeira filha do contexto local (sem que com isso seja digna de perdão, talvez de pena). Como Hilly Holbrook, Bryce brilha.

Allison Janney, ainda que coadjuvante com poucas cenas no filme, tem grandes momentos, mas poucos a reconhecerão apenas pelo nome: você se lembrará mais dela pelos 154 episódios em que viveu a CJ (Claudia Jean Cregg) na série “West Wing”, pela qual foi indicada 4 vezes ao Globo de Ouro. Como Charlotte Phelan, Allison brilha.

Emma Stone foi criticada por uns, elogiada por outros, mas não decepciona ainda que não seja de fato a protagonista do filme. Emma vive a escritora que dá voz (ou papel) às empregadas do Mississipi em 1962, e é filha da personagem de Allison Janney. Como
Skeeter Phelan, Emma Stone brilha.

As seis atrizes

As seis atrizes

Jessica Chastain foi a atriz mais interessante de 2011. Fez diversos filmes pelos quais foi elogiada e indicada a prêmios, e recebeu vários em especial por “A Árvore da Vida”. Pode levar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2012 justamente se considerarem o “conjunto da obra”. Quase irreconhecível, Jessica vive com intensidade e delicadeza uma personagem condenada ao isolamento criado por suas supostas amigas e, talvez por isso, consiga fugir dos estereótipos com os quais as jovens do Mississipi criam uma vida de preconceitos e futilidade. Como Celia Foote, Jessica Chastain brilha.

Octavia Spencer, depois de muitas personagens secundárias em filmes anteriores e séries de TV, chega com força às telonas mostrando talento e carisma. Pega um personagem difícil de vida idem, dá humor sem cair no exagero e emociona em vários momentos. Principal candidata ao Oscar e ao Bafta de coadjuvante, ela já levou o Globo de Ouro, o Screen Actors Guild Awards e outros diversos prêmios. Como Minny Jackson, Octavia Spencer brilha.

Viola Davis já mostrou seu enorme talento em filmes como Dúvida, coincidentemente outro filme de grandes atuações femininas, pelo qual concorreu também ao Oscar. Este ano, como atriz principal, concorre com Meryl Streep (também de “Dúvida”), sempre excepcional mas que vem sendo erroneamente apontada como a favorita. Na verdade, o páreo está entre Michelle Williams, que já levou muitos prêmios por “Sete Dias com Marilyn” (inclusive o Globo de Ouro de Comédia/Musical), e Viola, que perdeu o Globo de Ouro de Drama para Meryl Streep mas venceu o Screen Actors Guild Awards. Páreo duro, portando, mas eu gostaria de ver Viola vencendo. Perfeita como Aibileen Clark, Viola Davis brilha intensamente.

O título original da produção é “The Help”, que tem mais a ver com as tarefas de empregadas domésticas do que propriamente com tradução literal “A Ajuda” ou mesmo “A Resposta”, como aparece na primeira legenda do filme (mas que é o título do livro em português). O filme ainda conta com uma deliciosa ponta de Sissy Spacek, não poderia deixar de citá-la.

A grande qualidade de “Histórias Cruzadas”, além do poderoso elenco feminino, é não se tornar um filme pesado por conta da questão do racismo, tão bem tratada neste e em alguns outros filmes, mas às vezes levando o espectador a sair do cinema deprimido (pela situação histórica, pela situação atual do mundo ainda tão preconceituoso…). Não é o caso aqui. Ainda que não tenha a força dramática de um “A Cor Púrpura” (que, curiosamente, se destacou num dos melhores anos do cinema americano nos últimos 40 anos), recomendo “Histórias Cruzadas” imensamente.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em fevereiro, 10 2012.

Uma resposta to “[Resenhas] Histórias Cruzadas”

  1. Belíssima resenha, Tommy. Assino embaixo. Adorei. O filme e a resenha.

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