[Resenhas] Harry Potter e o Enigma do Príncipe

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Para falar (ou melhor, escrever) sobre o sexto filme da saga Harry Potter preciso de fato voltar a temas sobre os quais volta e meia cito em minhas resenhas. Começo, claro, pelo que chamo de “engodo da pequena prévia”. O trailer apresentado nos cinemas nas semanas anteriores à estreia era absolutamente eletrizante, quase um filme de James Bond, sobre o qual cheguei a comentar “se o filme for tão bom quanto o trailer, os fãs do pequeno bruxo sairão do cinema extasiados”.

Evidentemente, como era de se esperar, o filme não tem nada a ver com o trailer, o que não quer dizer que não seja bom: “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” é ótimo. Mais inglês que nunca, o andamento é moderado, bastante “mastigável”, tanto para quem leu os livros e quer comparar a versão cinematográfica com a trama literária, quanto para os que vão ao cinema sem ter intimidade com a história de J. K. Rowling, como era o caso de minha companhia, que gostou muito do filme mesmo sem entender a origem de muita coisa.

Esse é um detalhe importante: o filme é de fato uma continuação dos anteriores, ainda que os diretores não tenham sido os mesmos. Não há grandes explicações sobre elementos anteriores, e nem seria possível considerando que já é uma tarefa hercúlea resumir em cerca de 2 horas e meia uma obra de mais de 500 páginas sequência de outros cinco volumes. Mas isso não faz com que o filme não seja bom ou pouco “inteligível”: é ótimo, melhor já reafirmar isso antes de continuar…

O assim-assim

Como eu terminei de reler o sexto livro um dia antes de assistir à obra de David Yates, foi mais fácil acompanhar como o diretor resolveu filmar a sequência de acontecimentos. De uma forma geral (e embora alguns certamente não concordem comigo), o filme foi sim bastante fiel ao livro, apesar de cortes diversos. O que cito a partir daqui não revela muito nem estraga as surpresas, e deixo os destaques positivos mais para o final do texto.

A cena inicial é impactante mas parece deslocada do restante do filme. Muita gente vai sentir falta dos elfos domésticos e seu papel na questão Draco Malfoy. Na cena que é consequência do uso efetivo da Felix Felicis, demora a aparecer a explicação do motivo da visita a Hagrid (no livro, Harry e mais Hermione e Rony já haviam sido convidados por causa de Aragogue); nesta mesma sequência, o encontro de Harry e Slughorn também é diferente do descrito por Rowling. A tão esperada cena do beijo de Gina, alterada, não funciona como deveria, apesar de um suspiro apaixonado de uma senhora que rendeu boas risadas na plateia. Embora com ótimas cenas, o Quadribol também aparece bem menos que no livro. O entra e sai na enfermaria de Madame Pomfrey também é bastante simplificado.

De resto, o momento mais esperado do filme perde impacto muito mais pela expectativa (e eis aí outro ponto sobre o qual sempre falo nas resenhas: deixe as expectativas trancadas dentro do criado mudo de sua casa) do que pela cena em si (com bem menos impacto que no livro, é verdade). Mas também, pudera: o choque maior foi durante a leitura do livro, quando não sabíamos o que ia acontecer, e até nutríamos a esperança de que tudo pudesse mudar nas páginas seguintes.

Pouco antes disso, aparece (ou melhor, não aparece direito) o grande ponto negativo do filme, a batalha em Hogwarts entre os comensais da morte e os professores e alunos. Melhor nem explicar muito. Mas, por favor, não finque os pés no chão nem bata na mesa dando um piti no estilo “não pode, não pode, não pode”: não exija que o filme seja uma cópia fiel do livro, essa exigência é chata demais, e parece que alguns espectadores, depois de tantos anos, ainda não entenderam isso.

Mais uma vez acho que o excelente Alan Rickman tem bem menos destaque nos filmes do que no livro: a cada filme que passa, parece que Snape tem menos força na versão cinematográfica, quando na verdade deveria ser o contrário. As excelentes Maggie Smith, Helena Boham Carter e Julie Walters mostram a competência de sempre, embora (Walters em especial) apareçam pouco.

A ausência mais sentida por mim é a de Ralph Fiennes, mas este, como sabemos, não tinha mesmo que aparecer neste filme: “o que é dele está guardado”, e com a máxima importância, para os próximos dois filmes… Mas há outras que não podem ser muito explicadas. Emma Thompson desta vez parece até que nem foi chamada para dar vida à sua estranha professora. Alguém viu Cho Chang por ai ? Nem eu, mas neste episódio 6 ela não precisa mesmo aparecer… Mais gente que ficou de fora (por que tanta economia ?): Murta que Geme, Gui e Fleur (nada sobre o noivado !), a casa do tio Válter…

A Ninfadora Tonks (Natalia Tena) quase não aparece, o que é sempre uma pena. Aliás, nada é falado sobre o caso entre Tonks e Remo, exceto Tonks chamá-lo en passant de “querido”… Para piorar, aproveitaram a Luna (why ?) para tirar Harry ensanguentado do trem; não era Tonks ?

Viva Gina, claro: Bonnie Wright rouba as cenas, ainda que as cenas nem sempre sejam boas. E embora “mais calado” que no livro, o Draco Malfoy de Tom Felton merece destaque. Pena que as suas entradas e saídas da Sala Precisa (e a de Harry também) sejam no mínimo mal apresentadas. Também fica estranha a solução da lembrança falsa de Slughorn: definitivamente não gostei. Bem melhor a lembrança verdadeira, mas ainda assim acho que as hoxcruxes tiveram menos destaque do que deveriam, espero que no próximo filme tudo fique mais claro.

O que faz o filme valer muito a pena

O grande destaque do filme é o muito bem filmado (e muito bem-vindo) clima de amor (ou, em alguns casos, apenas paixonite e agarramento) entre os personagens, que agora definitivamente já completam a transição típica da adolescência. Felizmente, o filme não dá tanto ênfase quanto o livro em relação ao período em que Hermione e Rony ficam sem se falar, aquele briga-não-briga que funciona bem no livro mas que poderia se mostrar cansativo para o espectador.

Emma Watson, cada vez melhor mas ainda em franca evolução como atriz, consegue dar à sua Hermione a porção de sentimento que todos esperavam, no tom certo que une sua indecisão em revelar seus sentimentos, o affair mal ajambrado com Córmaco McLaggen e a esperança por Rony. Emma brilha na cena de Uon-Uon na enfermaria e em sua sequência chorosa (com os “passarinhos” que, por sua vez, “atuam” diferente do livro).

Rony tem mais destaque neste filme que no anterior, por suas desventuras com Lilá (Jessie Cave, que dá o tom cômico que o filme precisava) e o interesse velado pela melhor amiga: Rupert Grint tem sua grande cena na sala de Slughorn por conta da poção do amor, hilário. Do trio de protagonistas, Daniel Radcliffe continua sendo o mais fraco, mas continua defendendo com fervor seu Harry Potter.

Cabe aqui a menção póstuma à pequena cena do Marcos Belby interpretado por Robert Knox, que foi assassinado aos 18 anos em 2008. A ambientação e os efeitos especiais, como sempre, são caprichados, mas menos impactantes que em filmes anteriores (com a boa exceção que confirma a regra no cenário da caverna). A trilha sonora é mais discreta do que deveria, mas não compromete os momentos de suspense do filme. E a cena que destaco, entre muitas ótimas, acontece bem no final do filme, com as varinhas levantadas ao alto. Emocionante.

Preciso citar também o “Harry, você precisa se barbear” pouco antes do momento crucial do filme: um belo “Fui” de um Michael Gambon que não titubeou quando recebeu a missão de substituir Richard Harris na saga. Aliás, considerando esta necessária exceção, a melhor decisão de todos os diretores foi a de manter o mesmo elenco até o final. Tem funcionado às mil maravilhas.

No final das contas, o óbvio ululante: com menos impacto que o livro, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” soa como um filme de passagem, embora eu ache que, com a divisão da última parte em dois filmes, esta tarefa será mesmo de Harry Potter 7, para que Harry Potter 8 (se tudo correr bem e o diretor for… bem, você escolhe o seu preferido…) seja o gran finale que todos esperam. Se você é fã da saga, não perca. Se não é mas conhece um pouco da história, é um bom entretenimento.

Tommy Beresford

Update – Leia outras resenhas do Cinema é Magia, para matar a saudade:
[Resenhas] Harry Potter e a Ordem da Fênix
[Resenhas] Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
[Resenhas] Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

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~ por Tommy Beresford em julho, 23 2009.

4 Respostas to “[Resenhas] Harry Potter e o Enigma do Príncipe”

  1. Não sou fã da saga Harry Potter. Achei o filme, cinematograficamente falando, de ótimo nível. Fico meio perdido no meio de tantas citações e personagens exoticos. Acho que apenas funciona para aqueles que já acompanham, de leitura, as aventuras do bruxo adolescente.

  2. […] Beresford CINEMA É MAGIA “Mais inglês que nunca, o andamento é moderado, bastante “mastigável”, tanto para quem […]

  3. eu acho harry potter um grande filme
    pq ninguem alem de j.k roling para inventar uma historia tão longa e uma melhor q a outra.
    uma historia q não dexa nehum furo e bem classificada por cada longa da saga do bruxo harry potter

  4. O FILME FOI SIMPLESMENTE MARAVILHOSO, COMO SEMPRE.
    TAMBÉM O Q NÃO FICA MARAVILHOSO COM DANIEL RADCLIFFE, EMMA WATSON , RUPERT GRINT ATUANDO.

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