[Resenhas] Adeus à Linguagem

Adeus-a-Linguagem

A “inteligenzzia” vai adorar o novo filme de Godard. Proust, Ullul, Rilke, Valéry, estão todos lá, no mesmo balaio. Só que o balaio é muito apertado, dentro do qual eles (ou seus pensamentos parecem duelar entre si, e filmado por um 3D dito “desconcertante”: na verdade, um concerto sem lógica, apenas uma colagem de citações inteligentes sob um 3D que grita nas lentes dos óculos do espectador mais como dor do que delícia.

O grande problema de “Adeus à Linguagem” é que ele pretende ser vanguarda num ano de 2015 onde tudo parece já ter sido feito, e não em anos 70 (ou até início dos 80) revolucionários onde, ainda que sem o 3D, o filme poderia “causar”. Para o espectador “cabeça”, pode ser fantástico rever em sequência as mesmas citações de pensadores, filósofos e escritores que já lera em livros (e, atualmente, banais na internet) sob as bençãos de um cachorro fofo ou de protagonista nu defecando: pode ser divertido, também para o espectador médio, ouvir o barulho do seu cocô caindo na água do vaso. Mas jamais será uma obra cinematográfica inesquecível, até como outros filmes do mesmo diretor. Sair da mesmice do cinema século 21, para mim, não passa por aí.

“Adeus à Linguagem” tenta ficar, então, na outra cabeça de um mesmo fêmur: posa como extremo oposto do que o cinemão americano faz com seus super-herois e blockbusters arrasa-quarteirão, com todos os hífens e aspas que isso ainda possua, revestido pela capa do “cult inovador, agora em 3D”. Mas agrada apenas a um pequeno gueto de pessoas que, sinceramente, não precisam dessas citações feitas por Godard para provarem que são realmente inteligentes: nem mesmo aprendendo-as, nem mesmo citando-as, muito menos vendo-as repetidas na tela do cinema sem um roteiro interessante por trás.

O filme até começa promissor. Mas Cinema, com “C” maiúsculo, ainda precisa de uma boa história a ser contada. Não importa se americano ou europeu, se aventura ou romance, se “cabeça” ou infantil. O espectador de 2015 precisa entender em que mundo cinematográfico de possibilidades está, e ao mesmo tempo ser respeitado por quem oferece a ele as iguarias da sala escura, seja ele de que idade for. “Vai quem quer”… mas isso é óbvio, ora, afinal “paga quem quer”, a segunda frase de efeito mais citada por aí. Mas gosta quem quer também. E não adianta tentar “inovar” usando efeitos que vemos até em um “Pixels” da vida para tentar ousar sem um mote envolvente. Com todo respeito à sua obra e história… perdeu, Godard. 2015 pede ousadias diferentes.

Tommy Beresford

goodbye-to-language-Cena

~ por Tommy Beresford em agosto, 04 2015.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: