[Resenhas] Whiplash: Em Busca da Perfeição

Whiplash reddish poster

“Whiplash: Em Busca da Perfeição” não é um filme musical, nem um filme sobre métodos bizarros de ensino, mas um drama muito bem escrito e dirigido por Damien Chazelle. O diretor é o primeiro destaque do longa: desde a primeira cena, comanda o filme com extrema contenção e cuidado, como se estivesse sendo elaborada realmente a composição de uma grande canção ou arranjo que só ‘explode’ no final (na verdade, com grandes ‘melhores momentos’ durante toda a partitura). Com a ajuda da preciosa direção de fotografia de Sharone Meir, Chazelle usa poucas câmeras, escolhe close nos músicos — quando poderia apenas optar pelo plano mais largo –, vai ao detalhe mas sem encher o espectador de informação desnecessária.

O filme é centrado em apenas dois personagens (eu disse ‘apenas’?). O protagonista oficial é o iniciante em bateria vivido com dedicada respiração por Milles Teller (de “Divergente”, e que em breve será o Sr. Fantástico da versão cinematográfica). Já JK Simmons oficialmente é o coadjuvante, e por esta categoria foi premiado no Globo de Ouro 2014/2015, mas brilha tão intensamente como o carrasco professor que nos emociona no constante duelo entre o experiente e o aprendiz, na medida em que Teller vai aos poucos se transformando durante o longa por conta da influência do tutor e de seus próprios sonhos e inseguranças. Seguro e mergulhado no personagem, Teller está excelente, e a atuação de JK Simmons é simplesmente arrebatadora.

Além de toda a questão ética dos métodos do professor, a pergunta que o filme instiga é: será que a qualidade só consegue ser plena se vier do esforço extremo? Como fica a questão do “dom”: se é que existe de fato, ele aflora naturalmente ou também precisa passar pela provação e suor para que possa florescer? Melhor deixar o elogio de lado e investir na crítica e na quase “exploração” pelo excesso da prática? E, afinal, de onde vem o inusitado e o inovador, será de uma centelha criativa repentina ou do que vem de árduo burilamento e que, aí sim, surge do suor de quem insiste?

Atenção para as pequenas participações de Paul Reiser (eternamente lembrado por “Mad Abour You”) e Melissa Benoist (de “Glee”). Para os músicos e entusiastas, é prato cheio, pois a trilha sonora é deliciosa. Algumas curiosidades: Damien Chazelle decidiu realizar um curta da mesma história antes de fazer o longa para o qual não consegui verba. Acabou selecionado e premiado no Sundance como Melhor Curta, o que finalmente permitiu o financiamento do longa. Miles Teller toca bateria desde os quinze anos e passou por intensas aulas de quatro horas por dia vários dias por semana: parte do sangue nas baquetas é do próprio ator, que tocou em 70% das cenas (nos outros 30%, foi substituído pelo instrutor).

Saí sem fôlego do cinema, e ainda mergulhado neste filme que nos emociona por não ser óbvio, por sua narrativa sem firulas e pelas grandes interpretações. Recomendo.

Tommy Beresford

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~ por Tommy Beresford em janeiro, 13 2015.

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