[Resenhas] Chatô, O Rei do Brasil

Chato cartaz

A vida de Assis Chateaubriand (1892-1968) gerou um livro de 736 lançado em 1994 e escrito por Fernando Morais, que até então já havia publicado duas obras de grande sucesso editorial, “A Ilha” (1976, sobre Cuba, reeditada em 2001) e “Olga” (1985, reeditada em 1994). Tal como “Olga”, o livro “Chatô” virou um filme, ou melhor, uma grande novela, já que a produção cinematográfica começou em 1995 e levou simplesmente vinte anos para ser concluída e lançada nos cinemas brasileiros.

Os motivos foram mais que explicitados (e especulados) na imprensa. A demora gerou descrença, expectativa e até chacota mas, mesmo ainda às voltas com dívidas e justiça, Guilherme Fontes colocou finalmente seu filme no circuito, agora sem mais esperar os 5 milhões de espectadores que anunciara. E o resultado…

Parte da crítica não gostou da adaptação cinematográfica de “Olga”. “Corações Sujos”, também livro de Fernando Morais, foi vendido para Cacá Diegues, mas o projeto de finalizar o filme em 2005 não se concretizou. Em 2011, foi lançado um outro filme com mesmo nome: “Corações Sujos”, de Vicente Amorim, conta com o ator Tsuyoshi Ihara (de “Cartas de Iwo Jima”) no elenco. “Chatô, O Rei do Brasil” entra na lista, sem dúvida, como a melhor adaptação da obra de Morais para o cinema.

O filme tem enormes virtudes, mas quem o assistiu, como eu, no Odeon (centro do Rio) se assustou com o péssimo som, e ficou a surpresa de um filme de tamanho cuidado na montagem ter um som tão ruim. Descobri depois que o problema não era do filme, mas do cinema e, sendo assim, não sobrou muita coisa que possa ser criticada nesta mezzo chanchada tropicalista mezzo ópera bufa, mas filmada com muita sensibilidade por Fontes.

A direção, sem dúvida, é a chave para que o filme funcione, mas “Chatô” ainda conta com um excelente elenco, onde Marco Ricca e Andrea Beltrão, esta realmente impressionante, brilham intensamente. Chateaubriand não é um personagem fácil de ser retratado, mas as escolhas de Ricca e Fontes foram mais do que adequadas. O espectador, porém, não deve esperar um filme convencional, muito menos a narrativa linear (e cômoda) de quase todos os filmes nacionais do século 21: “Chatô” incomoda.

Com excelente trilha sonora, caprichada direção de arte e fotografia eficiente, “Chatô” sem dúvida é uma das produções nacionais mais interessantes que (finalmente) apareceram na sala escura nos últimos vinte anos. Mais do que isso: Fontes não criou um filme datado. Não parece simplesmente uma produção de época, nem mesmo um filme de 1995 (até pela já citada qualidade de produção): um filme que muda a perspectiva do espectador e que o público do cinema nacional há muito tempo merecia, entre tantas obviedades e, por que não dizer, comédias rasteiras caça-níquel (com uma boa exceção aqui e acolá) que lhe são oferecidas.

Tommy Beresford

Chato filme 1

~ por Tommy Beresford em novembro, 30 2015.

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