[Resenhas] Adaline / Cake

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Em que prisão você se encontra? Quais são as suas cicatrizes, visíveis ou não? Quais as dores que afligem seu coração solitário? Quais são as perdas que mais te cortam e que te impedem se seguir adiante? Começar uma resenha assim pode parecer deprimente e até ir contra a indicação de um filme — nesse caso, dois. Mas, embora tanto “Cake” quanto “A Incrível História de Adaline” tratem de certa forma de aprisionamento e limitação, são dois grandes filmes de amor, ainda que em meio à dor, que merecem ser assistidos.

Cake“, que no Brasil recebeu o subtítulo de “Uma Razão Para Viver”, é o grande papel de Jennifer Aniston (muito) depois do término da série “Friends”. Intensa, entregue, vulnerável, Aniston brilha num papel difícil, o de uma mulher que sofreu perdas e ganhou marcas que parecem insuperáveis, cicatrizes que parecem doer muito mais na alma do que no corpo.

Sua Claire é real, palpável, mesmo totalmente presa dentro de um pote de vidro junto com suas dores, frustrações e um enorme sentimento de impotência. Incrivelmente esnobada pelo Oscar, Aniston foi merecidamente indicada ao Globo de Ouro e ao Screen Actors Guild pelo papel em 2015: em ambos, perdeu para a vencedora do Oscar e de quase todos os prêmios do ano, Julianne Moore. Mas é preciso também destacar em “Cake” o trabalho da atriz mexicana Adriana Barraza, com a qual a personagem de Aniston tem ótimos diálogos.

Apesar de toda a dor da personagem, “Cake” não é um melodrama. Mas ficam as perguntas: precisamos suportar um sofrimento até o fim para nos curarmos dele? Mas onde está de fato este fim? Como encontrar um atalho, um desvio? Como não desistir no meio do caminho?

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A Incrível História de Adaline” (“The Age of Adaline”) é uma fábula. Mas há quanto tempo não surge no cinema uma fábula tão tocante, graças ao trabalho delicado do diretor Lee Toland Krieger. Quem nunca viveu um amor impossível? Mais que isso: todo aquele que um dia já viveu um amor tão palpável, tão intenso que chega a doer, não tem como não se emocionar com Adaline, que tem todo o futuro do mundo para si, mas não pode vivê-lo justamente porque tem um dom que o restante dos que a cercam não têm: condenada — e será esta a melhor palavra? — a uma idade única, para sempre.

Mostrando incrível maturidade e emoção na medida certa, Blake Lively (de “Gossip Girl”) está arrebatadora como a protagonista: apaixonante. É também quase impossível não se envolver pelo ótimo ator holandês Michiel Huisman, perfeito no papel: seu personagem é tão sedutor que faz o protagonista do recente e sofrível “Cinquenta Tons de Cinza” parecer um robô. Mas dois outros filmes, não tão recentes assim, é que certamente virão à mente ao espectador: “O Retrato de Dorian Gray” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Mas só de relance… A participação de Harrison Ford é simplesmente incrível. Destaque também para Ellen Burstyn e para a discretíssima mas adequada trilha sonora de Rob Simonsen.

Ainda que seja um filme previsível e bastante simples em sua ideia, “The Age of Adaline” (título original) envolve totalmente o espectador, que se emociona com os dilemas da protagonista e sai do cinema pensativo (ou, no meu caso, estraçalhado): e se fosse eu?

Em ambos os casos, há essa sensação imensa de necessidade de libertação. Como fugir do que parece tão pré-determinado? Como viver uma vida simples, sem grandes parangolés, apenas seguindo o coração, apenas com as pequenas decisões do dia-a-dia e não agrilhoada a dilemas existenciais tão dolorosos? Em ambos os caso, há o amor. E o amor é o senhor das maiores perguntas, das mais difíceis respostas, das dores e das delícias para as quais estamos aqui nesta vida, seja por quantos forem os anos…

Tenham seus lenços à mão: ambos são filmes emocionantes. Recomendo imensamente.

Tommy Beresford

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~ por Tommy Beresford em junho, 01 2015.

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