[Resenhas] Rush – No Limite da Emoção

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Filmes sobre esportes normalmente são relegados a segundo plano pela crítica especializada, como por exemplo… Bem, nem eu me lembro mais de um filme sobre esportes que tenha obtido grande repercussão nos últimos tempos (me poupem de “Velozes e Furiosos”, estou falando de esportes de fato). Por isso mesmo, fiquei extremamente feliz ao ver que “Rush – No Limite da Emoção” foi bem recebido pela grande maioria, público e crítica. Afinal, realmente é um grande filme.

E olhem que o tema é Fórmula 1, cuja emoção se resume a ultrapassagens espetaculares e “briga pelo campeonato”, como costumam narrar os locutores e, para nós, brasileiros, tal emoção quase não existe desde que o inesquecível Ayrton Senna faleceu. Em “Rush”, a história de Niki Lauda é o mote, na verdade um período bem delimitado (e totalmente marcante) de sua vitoriosa carreira. Embora eu soubesse bem o que tinha acontecido com o campeão mundial, foi bom eu não ser um exímio conhecedor da história do automobilismo, pois realmente eu não sabia dos detalhes e dos bastidores da saga de Lauda. Também conhecia James Hunt mais de nome do que propriamente de sua participação nos certames.

Ron Howard fez ótimas opções, em especial no que se refere à difícil tarefa de criar um filme que não pareça uma transmissão de Fórmula 1. Acredito que “Rush” receba merecidas indicações a prêmios de Montagem, por exemplo, e talvez pela Fotografia “vintage” de Anthony Dod Mantle, com belos posicionamentos de câmera. O roteiro também é enxuto e coerente, ainda mais porque o próprio Niki Lauda participou de todo o processo com Peter Morgan.

LAUDA

Mas o fato é que a excelência do filme fica mesmo no duelo entre os protagonistas, dois pilotos tão díspares quanto fascinantes: o pragmático Niki — estudioso, centrado e concentrado, o “nerd” das pistas e dos bastidores — e o farrista James, explosivo, sedutor, impulsivo mas muito talentoso. A Fórmula 1 tinha grandes personagens e ótimas disputas na segunda metade da década de 70, os anos retratados no filme: lá estão Clay Regazzoni, Mario Andretti, entre muitos outros, com citações a Emerson Fittipaldi e a Copersucar.

Para Chris Hemsworth, agora despido (literalmente!) da “musculosa” fantasia de Thor, o desafio não chegou a ser tão grande, afinal James Hunt é um personagem mais “pé no chão” no que se refere ao estereótipo masculino tão comumente ligado a esportes em geral. Ele se destaca mais quando contracena com Daniel Brühl, brilhante como Niki Lauda, não só na apurada caracterização (com direito a prótese dentária) mas na precisão com que constrói o perfil do piloto.

A maior dificuldade do diretor seria justamente pegar esses dois grandes personagens muito bem interpretados e fazer com que o espectador não somente se envolvesse com eles mas “entrasse” dentro das corridas e seus bastidores: Howard conseguiu, e “Rush” vale todos os centavos do ingresso. Não perca.

Tommy Beresford

rush lauda

~ por Tommy Beresford em outubro, 04 2013.

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