[Resenhas] A Origem

Ao sair ontem do cinema, ouvi uma espectadora reclamar: “E aí, tá vendo ? Eu disse que era uma porcaria ! Só americano mesmo pra gostar dessas coisas !”, o que me remeteu a um remoto “Puxa, mas não disseram que esse era um filme de Jim Carrey ?” à saída de “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”… Cuma ?

“Ame ou odeie”, rótulos e idiossincrasias à parte… Sim, “A Origem” (título nada interessante para “Inception”) não é um filme fácil. Mas também não é tão hermético quanto pode parecer ao assistir ao trailer. Dá pra acompanhar bem as “várias camadas”, o roteiro é tão interessante quanto bem estruturado, os desempenhos são ótimos, e Marion Cottilard está na tela, “reluzente como a luz do dia / bela e formosa como as ondas do mar”, como dizia o samba da Imperatriz Leopoldinense de 1980. Por falar em canção, Marion é homenageada no filme com “Non, Je Ne Regrette Rien”, adorável citação à sua inesquecível “Piaf”.

E há Christopher Nolan, que brilha intensamente no roteiro e na direção do longa, e que dá de bandeja a talentosa Ellen Page (que no filme faz o papel de Ariadne que, na mitologia grega, é quem permite que Teseu saia do labirinto por meio de um novelo, tudo a ver) para que o espectador tenha alguém que o oriente nesta viagem. O filme mistura golpes (de todo tipo) e realidade virtual que dá ao espectador muito mais que belos efeitos especiais: mergulhe numa catarse ou num turbilhão de questionamentos, mas mergulhe, esta é a ideia.

Acrescente-se a tudo isto uma trilha sonora mais que inspirada de Hans Zimmer, um Leonardo DiCaprio correto, um Cillian Murphy sempre perfeito e as participações mais que especiais de Ken Watanabe, Joseph Gordon-Levitt, Tom Berenger e Michael Caine, entre outros, e eis um dos grandes filmes de 2010. Não sei se será lembrado daqui a alguns meses, espero que sim; mas tempo… bem, o tempo, como diria Nolan, é algo tão relativo…

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em agosto, 11 2010.

5 Respostas to “[Resenhas] A Origem”

  1. Mais uma vez, Nolan nos brilha com um filme espetacular. Um thriller complexo, mas nao é difícil acompanhá-lo, atuações primorosas, em especial a de Gordon-Lewitt (quem nao assistiu 500 days of Summer, pode assistir ele é uma promessa no cinema atual)

    Di Caprio impecável mostrando mais uma vez o excelente ator que é. Cottilard (dispensa apresentações) Sir Kaine deveria aparecer mais (mas eu sou fan dele entao dispensa-se esta observação.

    Nao vou falar muito do filme porquê. é preciso assistí-lo, vem oscar por ai de certo e é aguardar. Segue outra Resenha que fiz no meu blog: 20dizer-isso.blogspot.com

  2. Muito bom filme, daqueles que a gente fica comentando e discutindo “porque isso”, “porque aquilo” (eu, discuti sozinha!) 🙂
    Ellen Page dá um banho, assim como os efeitos especiais arrasadores. Cottilard muito bem (não esperaria menos dela), e os demais atores todos corretos. Leo Di Caprio é o mesmo de sempre: correto, mas não me convence que é bom ator. E Tom Berenger velhão, que coisa! Enfim, a gente envelhece…
    Inevitável compará-lo à “Matrix”, mas não dá nem pra começar. O roteiro é muito bom, mas as questões de Matrix são “superiores”, se é que posso falar assim.

  3. http://oirlandes.blogspot.com/

    Não assisti no cinema, creio que seria muito melhor, mas vi muita gente comparando A Origem com matrix.
    Quem o compara com Matrix, inicialmente não compreendeu o próprio roteiro de Matrix, são dois filmes complentamentes diferentes em sua essência. Claro que, as técnicas visualmente usadas nos dois filmes podem se assemelhar, mas a complexidade de tais estórias diferem e muito. Vejo A Origem, como uma surpresa (agradável) e potencialmente, um filme que será injustiçado no Oscar, pela previsibilidade da Academia.
    Enfim, roteiro brilhante, bem desenvolvido e principalmente, atuações extraordinárias (salve especial para Ellen Page), fazem de A Origem uma ótima pedida para quem está afim de cinema como entretenimento e sem dúvidas, como arte!

  4. Acho um filme genial, uma obra-prima. Sobre ser lembrado no tempo, acredito que, mais que qualquer outro filme lançado em 2010, esse é o que permanecerá por mais tempo na memória (tanto dos que apreciaram quanto dos que não gostaram). Para o Cinema, como quase tudo que Nolan vem fazendo, já é um marco de originalidade.

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