[Resenhas] A Voz Suprema do Blues (por André Gabeh)

A resenha de hoje é de autoria de André Gabej (link aqui):

A VOZ SUPREMA DO BLUES
onde vi: NETFLIX
Nível de spoiler: Baixo.

Menina…

Eu estava achando que era uma biografia de uma cantora. Tava até meio desanimado. Não sou muito fã de biografias e Blues não é um estilo musical que eu “frequente”. Assisti pra ver VIOLA MARAVILHOSA DAVIS e pra mim já estava de bom tamanho.

Menino…

O filme é sobre a tensão de ser o que se é dentro de um mundo que está sempre dizendo como deveríamos ser. E a história se passa em uma época onde essas regras eram absolutamente cruéis pra artistas e, sobretudo, para negros e, obviamente, mulheres. Pra uma mulher negra? Pohan… Era o inferno em dia de eleição.

É teatrão, né? Teatraço. Luz de teatro, marcações de teatro, cuidado teatral com os atores. Aliás é um filme de atores, né? O diretor cuidou daquele elenco que nem um maestro cuida de uma orquestra, mesmo quando é solo de um instrumento a música dos outros está presente. Adorei isso.

Viola Davis é um acontecimento. Optaram por uma aparência tão suada pra personagem dela que ela parece quase untada. Seus olhos estão sempre entre a fúria e o cansaço de quem não pode parar de lutar. O calor do filme parece vir dela. Que atriz impressionante. Que força. Nada é supérfluo, tudo se aproveita. Preciosa.

Mas o trabalho do moço (pera que vou no Google pegar o nome do amiguinho. Não vou chamar de Pantera Negra, né? Tenho classe) CHADWICK BOSEMAN é um escândalo. O corpo do ator está debilitado a beça por causa de sua doença na vida real, mas a sua força artística é tão grande que foi o primeiro convalescente que, em alguns momentos, vi parecer mais jovem do que quando saudável. Tem cena em que ele parece um adolescente cheio de sonhos, crises e confusões. Mas também se mostra velho, ressentido, amargurado… Olha… Que trabalho genial. Genial. Confesso que não sabia que ele era tão maravilhoso. Me deu muita tristeza saber que não veremos mais de sua grandeza e que não acompanharemos a sua evolução. É trabalho pra ganhar todos os prêmios.

Senti vontade de ver uma cena destruidora entre ele e Viola. Uma briga de feras disputando território emocional, sabe? Mas a tensão entre os dois personagens já é uma maravilha por si só.

Recomendo, mas é um filme bem específico. Gostei mais dos atores, da direção, da produção do que da trama. O roteiro e a história são bons, ótimos, mas não foi isso que me arrebatou no filme. Entenderam? Se fossem atores mais ou menos eu acharia só ok. Tô explicando pra galera da palestra não vir me dar aula sobre cinema e interpretações e sobre como PROCURANDO NEMO não é um filme só sobre peixes.

Assistam e me contem.
Gostei bastante.
Minha nota: Tchubéqui Tchublim

(André Gabeh)

~ por Tommy Beresford em janeiro, 17 2021.

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