[Resenhas] Elysium

Elysium-poster

Imaginar a Terra daqui a 140 anos é um exercício de criatividade futurística que só cinema e literatura podem, em nossas cabeças, tornar “realidade”, ainda que nunca saberemos se será… Tantas foram as teorias sobre o futuro, seja na sala escura ou nas páginas dos livros, que acaba se tornando fácil lembrarmos da impressionante “Metrópolis” de Fritz Lang (de 1927, que tentava prever o século 21), passando pelo instigante “1984” de George Orwell (livro publicado em 1949) e pelo inesquecível “2001” de Stanley Kubrick (de 1968). Mais recentemente, entraram nessa lista filmes como o emocionante “Wall-E” (de 2008, sobre longínquos 2805) e o intrigante “Prometheus” (de 2012), este sendo predecessor do assustador “Alien” (1979), ambos sobre o final do século 21… Com qual deles você mais se “identificou”, ou quais deles você acharia mais verossímeis se os tivesse assistido ou lido na época de seu lançamento ?

Em 2013, temos mais um desses exemplos de “elucubração” futurística: “Elysium”. Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que gostei bastante do filme, que tenta prever as “soluções” (muitos aspas nisso) em torno das relações humanas por volta do ano de 2154. O curioso é que gostei do filme muito mais pelo “conjunto” do que propriamente por questionamentos e quesitos específicos, caso fosse feita uma análise fosse mais apurada… Ok, não estamos julgando escolas de samba, e para mim vale sempre mais a emoção com que saímos do cinema do que o “mimimi” mais técnico sobre o qual só pensamos (se pensamos) bem depois: valeu, portanto, o ingresso.

Mas pense em um filme que sobreviveria sem diálogos… É possível que “Elysium” entrasse nesta categoria, e este talvez seja justamente seu problema: o roteiro fica no meio termo entre um filme de ação, uma ficção científica e um drama com crítica social. Com destaque para a bela fotografia e ainda que eu não goste de comparações, podemos dizer sem medo de errar que o diretor e roteirista Neill Blomkamp foi muito mais bem sucedido em “Distrito 9”, um dos melhores filmes de 2009 (leia a resenha do Cinema é Magia clicando aqui).

O elenco é ótimo mas em papéis não tão interessantes. Matt Damon parece até que não tem falas no filme, é um protagonista que apenas dá para o gasto, pois incompreensivelmente se “desumaniza” durante seu doloroso processo de busca, em meio a lembranças do passado. Mesmo num personagem fraquíssimo, Jodie Foster é o grande destaque, uma grande atriz (duas vezes vencedora do Oscar) ótima em qualquer papel, e aproveito para lamentar muito seu sumiço das telas. Sharlto Copley está over num personagem over, e é inevitável lembrar de sua brilhante interpretação em “Distrito 9″…

Há dois brasileiros no elenco. Em sua estreia em Hollywood, Wagner Moura impressiona, ainda que com um pezinho no overacting. Achei curioso que seu tom de voz — numa interpretação que rendeu elogios lá fora — se tornou um pouco mais agudo na língua inglesa. Alice Braga parece fadada a fazer sempre o mesmo papel no cinema americano, o da latina sofrida… infelizmente, pois é talentosa. Como curiosidade, vale lembrar que, no roteiro original, o filme se passava no Rio de Janeiro, mas as filmagens acabaram sendo feitas nos Estados Unidos e no México em busca de “maior impacto junto ao público americano” — a força das necessidades de mercado imperando mais uma vez…

E aí voltamos ao início da resenha. Apesar de tantos “senões”, é um ótimo filme, caso você não procure profundidade ou grandes coerências. Pensar na ideia de um “Planeta Terra à parte” é sempre um desafio para nossa imaginação e uma agulhada em nossos conceitos e preconceitos, então apenas compre sua pipoca e divirta-se nesta viagem. Na saída, aproveite e alugue “Distrito 9″…

Tommy Beresford

wagner-moura-com-matt-damon-em-cena-de-elysium

~ por Tommy Beresford em setembro, 23 2013.

Uma resposta to “[Resenhas] Elysium”

  1. Bom, Tommy, acho que vc esqueceu de citar um dos filmes que tenta prever o futuro da Terra que emociona muito, e que nos fala bem de perto: Blade Runner. Mas vc lembrou de Distrito 9 e, de fato, se formos compará-lo a Elysium (o que nunca é bom fazer, vero), eu ficaria com o primeiro fácil, fácil… A tal crítica social e as reflexões de Distrito 9 são muito mais palpáveis e, eu diria mesmo, super atuais. Já em Elysium fica-se mais na “superfícies”. Mas é isso: é um filme pra comer pipoca e se divertir, ainda que com uma estética de luta constante, de pobreza, de miséria, de egoísmo a gente nem sabe bem porquê… (COMO surgiram todas aquelas “soluções” no fim do filme para o pessoal que estava na Terra? POR QUE não antes?)

    E ainda me pergunto: a gente fica “ligado no 220v” quando assiste filmes atuais – não dá pra tirar os olhos da tela nem por um segundo! Por que o ritmo de hoje em dia é TÃO mais rápido que antigamente?

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