[Resenhas] O Artista

No século 21, houve quem duvidasse que o cinema em 3D vingasse. Ainda não sabemos se é fase, mas o fato é que grandes produções como “A Invenção de Hugo Cabret” usam com maestria este efeito, e o filme de Martin Scorsese levou 5 dos 11 Oscars aos quais concorreu. Este fenômeno de descrença em novas tecnologias não é novo. Em 1927, “O Cantor de Jazz” trouxe o som ao cinema, ninguém levou muita fé, e houve quem dissesse que era um desvario, um pecado, uma indecência. No ano sseguinte, 200 dos 294 filmes produzidos na meca Hollywood ainda eram mudos. Mas a descrença foi dando lugar ao óbvio, e em 1929 menos de 10% dos filmes eram mudos.

O fato é que o Oscar 2011/2012 acabou sendo um embate inimaginável justamente entre Cinema Mudo e 3D. Mas atenção: tanto o supracitado “Hugo” quanto “O Artista”, feito nos moldes dos filmes da década de 1920 mas com o esmero do novo século, vão muito além dessas duas expressões limitadoras. Ambos levaram cinco estatuetas no Oscar entregue em 26.02.2012, mas isso é o que menos importa: são duas grandes homenagens ao cinema de todos os tempos.

“O Artista” levou os princiais prêmios — Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora Original — e se passa no final dos anos 1920, contando a história de um galã do cinema mudo que não consegue se adequar à nova configuração do cinema.

O filme tem dois fortes pontos de sustentação. Jean Dujardin, melhor ator do ano segundo o Oscar, faz com competência um George Valentin meio Rodolfo Valentino, que exagera nas caretas para vencer a falta de diálogos, e que não acredita que os filmes falados vingarão. Dujardin foi merecedor do Oscar, embora meu favorito fosse George Clooney por “Os Descendentes”. Já Bérénice Bejo é Peppy Miller, que aos poucos acaba se tornando estrela dos filmes sonoros. Esposa do (premiado) diretor Michel Hazanavicius, Bérénice concorreu ao Oscar de Coadjuvante, mas perdeu para a excelente Octavia Spencer, por Histórias Cruzadas (clique aqui para ler a resenha do Cinema é Magia). Mas o cachorro Uggie também rouba a cena.

Apesar de ser uma produção francesa, curiosamente “O Artista” é o único dos filmes indicados a Melhor Filme (foram nove) que foi rodado em Los Angeles. Michel Hazanavicius faz uma bela homenagem ao cinema que é capaz de conquistar até os que nunca assistiram a um filme mudo — mas infelizmente o público pelo mundo, incluindo aí o Brasil, não foi excepcional (como teve baixo custo, porém, a produção pagou-se facilmente).

Fiquei feliz por suas premiações, embora meu favorito fosse “A Invenção de Hugo Cabret”. Não percam. O filme é excelente e merece ser assistido.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em fevereiro, 27 2012.

3 Respostas to “[Resenhas] O Artista”

  1. Um bom filme. Chama a atenção apenas pela forma inédita, em pleno sec XXI, ousar em apresentar um filme sem dialogos. Não é nenhuma novidade para quem curte cinema e já viu filmes de todas as épocas.

  2. Gostei da tua resenha. Muito boa. Adoro homenagens ao cinema, mas tinha q ser “muda“?

    Ok, verei o Artista e seja o q Deus quiser, ja quebrei a cara mesmo com o Iraniano A Separacao q eu nao queria ver e achei bom pra caramba.

    Parabens pelo blog!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: