[Resenhas] Godzilla

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Impossível não lembrar com saudade dos episódios televisivos dos grandes monstros japoneses toscos que povoaram e divertiram a infância de tanta gente… Mas ao comprar o ingresso (cada vez mais caro) para assistir nos cinemas a um Godzilla bem produzido, numa (nova) versão que custou milhões e milhões de dólares, a decepção acaba sendo monstruosa…

“Godzilla” é um filme ruim. Mais que ruim: risível. Mais que risível: tive uma crise histrionicamente histérica ao sair da sala escura, tamanha a dificuldade que eu tinha de compreender o que se passa no filme. Entendam: não que eu não esperasse simplesmente um filme catástrofe com uma grande cidade sendo destruída como se fosse papelão (outra nostalgia dos tempos televisivos), ou um monstro inacreditável que surge sem grandes explicações para a histeria dos habitantes. O problema é que há dois grandes “aliens” (e é impossível não sermos remetidos ao clássico de Ridley Scott) que são simplesmente horrorosos, em todos os sentidos, e isso é só o começo… Se é que algo faz mesmo sentido no filme dirigido por Gareth Edwards…

Embora a computação gráfica seja caprichada, a impressão que se tem é a de que os monstros perdem a proporção de uma cena para outra: por vezes achei que um se tornava maior que o outro. O elenco não ajuda, e chega uma hora em que a presença dos atores não faz mais qualquer diferença. Fiquei abismado ao ver Juliette Binoche fazendo uma ponta tão curta quanto bizarra. Aaron Taylor-Johnson e Bryan Cranston não têm como ajudar dois dos muitos papéis desinteressantes do longa; entre estes, salva-se apenas Ken Watanabe, talvez por optar por uma cara de paisagem, tipo “finjo que não creio no que estou vendo, enquanto vocês fingem que eu não estou aqui fazendo esta cara”… Sally Hawkins não diz a que veio. Tudo muito constrangedor.

O destaque positivo é a trilha mais uma vez irretocável de Alexandre Desplat. Se bem que talvez o filme funcione muito mais pela edição e mixagem de som do que propriamente pela “música”. Não há o que dizer mais de um filme que poderia ser resumido em “Godzilla grita: todos ficam surdos e ninguém mais se entende”, embora isso não aconteça (se bem que, se fosse assim, talvez fosse mais interessante…). De qualquer forma, se não quiser pensar muito, compre sua pipoca e bom divertimento. Espero que vocês não saiam gargalhando como eu. Ou rugindo…

Tommy Beresford

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~ por Tommy Beresford em maio, 19 2014.

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