[Resenhas] Direito de Amar

Numa das piores escolhas para título em português do século 21, “A Single Man” definitivamente não merece o título brasileiro de novela global das 18h, “Direito de Amar”. Principamente porque o filme não trata de direito de amar, muito mais direito de viver, viver a vida que se deseja, que se procura, ou ainda a que nos resta quando tudo parece sem sentido.

Como em todas as resenhas, não vou contar nada revelador demais sobre o enredo do filme: para quem deseja saber mais sobre o roteiro, melhor assistir este vídeo, por sua conta e risco. O mais importante aqui é louvar este filme admirável (e quase esquecido — certamente por sua temática — nas principais premiações do ano). Seja como for, é um filme sobre o amor, sobre o que nos resta dele, sobre o que restamos dentro dele, sobre o que entendemos dentro dele e seu poder transformador, pela delícia ou pela dor. Um filme imperdível, uma bela canção ao amor sem fronteiras, que deveria ser melhor entendido no mundo de fingimentos em que ainda vivemos.

Grande ator, Colin Firth está em um de suas melhores interpretações. Vencedor do BAFTA pelo papel, merece não somente a indicação ao Oscar de Melhor Ator mas também a estatueta (que provavelmente não levará na noite de hoje, 07.03.2010, quando escrevo este texto, dado o grande favoritismo de Jeff Bridges pro “Coração Louco”, que até o momento desta resenha não pude assistir).

O filme de cara finge mostrar George como o homem mais que extremamente organizado, aquele que tem camisas impecavelmente bem cuidadas no armário. Mas, o tempo todo, cenas intercaladas mostram que no fundo George tem seu interior aos pedaços, num caos de dor amorosa do qual ele parece não conseguir sair. Delicado sem perder a noção exata (leia-se precisão técnica, quase cirúrgica) do que precisa passar para o público, o George interpretado por Colin Firth nos arrebata, nos faz chorar, nos deixa impressionados.

Mas é necessária também a menção à interessante solução da fotografia do filme, quase um segundo protagonista da história e, claro, para Julianne Moore, sempre excelente, sob a batuta surpreendente do estreante Tom Ford. O final pode não agradar a todos, mas é mais que simbólico: afinal, no final das contas, quem está sob o controle dos nossos caminhos… a mente que, conturbada, pode nos levar a desejos extrem(ad)os, ou o coração que, apaixonado, pode fazer o mesmo de outras formas ?

O importante para quem sai do cinema é lembrar que não podemos passar pela vida — a frágil vida, e quase nos esquecemos disso — sem um grande amor. E alguns laços — e isto é inevitável, não tem jeito — são eternos.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em março, 07 2010.

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