[Resenhas] Lucy

lucy

Não se iluda com a mistura de máfia coreana, drogas, cenas de ação e pré-história: “Lucy” não é um samba do cineasta doido. Confesso que alimentei um certo medo, nas primeiras cenas, de me deparar com uma porção Terrence Malick demais. Não foi o caso.

Com uma trilha sonora que traz pop rock para a perseguição de carro e música clássica para ilustrar a visão da seiva vegetal, há muito de poético em meio ao que para uns é apenas inacreditável. O bom roteiro não deixa que o espectador fique confuso, e não se limita apenas a clichês científicos sobre porcentagens de uso cerebral ou na saída mais fácil da paranormalidade.

Aparentemente apenas uma jovem comum que se envolve numa “viagem” pela qual jamais imaginaria passar, Lucy é vivida com extrema paixão por Scarlett Johannson, neste que talvez seja seu melhor papel no cinema, e uma das personagens femininas mais instigantes do cinema dos últimos anos. Scarlett cria com primor uma quase-heroína, um papel realmente interessante que Besson devia aos cinemas desde “O Quinto Elemento”, aliás talvez sua última produção realmente marcante. Destaque também para o sempre correto Morgan Freeman e Min-sik Choi (de “Oldboy”), ambos funcionando como perfeita “escada” para o brilho da protagonista.

Ao ler algumas das resenhas após o filme, percebi uma tendência de alguns críticos por achar que Besson tivesse feito um filme de ação, risível ou “pipoca”: houve até quem comparasse Besson a Tarantino. Oi ? Ficção o filme é, sem dúvida, e embora haja realmente cenas feéricas e muita violência, não dá pra encaixar o longa num contexto de banalidade hollywoodiana. Cade vez mais acho que alguns críticos, com suas certezas absolutas de classificar tantas coisas como bobagens, usam bem menos do que 10% de sua possibilidade cerebral… E, por favor, classificar Lucy como uma (super-)heroína é demonstrar que não se entendeu nada da história.

É até difícil escrever uma resenha sobre o filme: é mais para pensar e pensar e pensar (durante a exibição e principalmente depois de sair do cinema) do que para tentar descrever. Entendo que seja um filme bem ao estilo “ame ou odeie”, mas nada é banal em “Lucy”. Evolução, filosofia, física quântica, o “ser” versus o “ter”, é um filme no mínimo corajoso, e um ponto alto na carreira irregular do excelente Luc Besson. Para quem, como eu, não se limita ao rame-rame do “palpável aceito”, é uma obra instigante, emocionante e imperdível. E o limite de 89 minutos é muito pouco para o que é totalmente infinito. Aliás, tempo é a palavra chave não somente do filme, mas do sentido de tudo o que parece não ter sentido.

Tommy Beresford

Lucy-cena-do-filme

~ por Tommy Beresford em setembro, 05 2014.

Uma resposta to “[Resenhas] Lucy”

  1. Querido Tommy, (quase) como sempre, concordo com sua resenha: Lucy é instigante demais para ser encarado como simples Sci-Fy ou um conto de uma heroína. Aliás, heroína de que?

    Luc Besson é um super diretor e, de fato, o roteiro é muito bem “costuradinho” e filmado por ele. Não há como deixar de lembrar de “O Quinto Elemento” (que nem sabia que também foi filmado por ele), e também de “Sem Limites”, recente, com Bradley Cooper.

    Enfim, palmas para um bom (ótimo?) filme… 😉

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