[Resenhas] Olhos da Justiça

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Remakes são sempre perigosos. Não sou contra refilmagens, apenas concordo com a máxima de que “não se deve mexer num clássico”, mesmo nos casos em que o filme não chega a ser considerado de fato um clássico, mas ao menos emblemático e/ou inesquecível. Portanto, não necessariamente estou falando de “Casablanca” ou “E o Vento Levou”, mas mesmo de filmes mais recentes, de 25, 30 anos atrás: não concebo pensar em refilmagens de “Flashdance” ou “A Cor Púrpura”, por exemplo, pela força que os filmes tinham e sempre terão.

O argentino “O Segredo dos Seus Olhos” é muito mais recente do que esses dois citados, e foi um dos melhores filmes a que assisti em 2010. Mas Hollywood correu para fazer sua versão menos de seis anos depois, que no Brasil recebeu o título de “Olhos da Justiça”, e eis Chiwetel Ejiofor, Nicole Kidman e Julia Roberts escolhidos para protagonizar os principais papéis. Dos três (com menção importante a mais um, Alfred Molina), Julia é a que tem a tarefa mais difícil e a que se sai melhor, roubando as sequências em que aparece. Sua principal cena, logo no início do longa, é realmente emocionante: despida de qualquer glamour, Julia brilha o filme inteiro. O sempre ótimo Chiwetel dá conta do recado, mas não tem nada a ver com Ricardo Darín, e Nicole Kidman, que eu adoro… bem, Nicole Kidman faz cara de mosquinha da banana o tempo todo: nem tente compará-la a Soledad Villamil. Nicole “amorna” o filme.

Este é o grande problema desta produção: a necessária comparação. Por mais que você não queira (e por mais que o trailer tenha nos enganado a respeito), a narrativa de “Olhos da Justiça” é por demais semelhante à do original, e aí voltamos à questão dos remakes: ou você reza a cartilha do filme original com o máximo de qualidade e verossimilhança, ou foge da cópia procurando outros caminhos (citando exemplo recente, como aconteceu com excelência em “Bravura Indômita”).

A questão é que “Olhos da Justiça” tenta fazer tudo “quase” igual, mas transferindo o contexto argentino para o 11 de Setembro, e até “esquece” num copião qualquer, se é que foi filmada, uma das inesquecíveis cenas do original, a da partida do personagem de Darín/Chiwetel. Ao chegar no final, quando a trama chega ao ápice e vai surpreender, parece que “cansaram”: resolveram dirigir e editar de qualquer maneira (observe o esforço que Chiwetel faz na cena final e que não lhe gera nenhum suor na edição, por exemplo), e o filme, que já carecia de força, perde mais ainda.

Mas entendam: quem nunca viu “O Segredo dos Seus Olhos” deve gostar bastante, pois a história em si é realmente muito boa, incluindo o final. O problema de “Olhos da Justiça”, repito, é o efeito comparativo (que detesto, como normalmente pontuo aqui seja filme-filme, seja filme-livro). Assista a este, e depois (re)veja o argentino, e fique com as duas impressões, de dois filmes diferentes que compartilham o mesmo mote. Melhor assim.

Tommy Beresford

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~ por Tommy Beresford em dezembro, 16 2015.

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