[Resenhas] Elizabeth / Juno

Juno, cartazElizabeth se faz de forte, mas é frágil e carente, apesar de todo o poder. Juno parece frágil, mas se mostra forte e decidida, apesar de toda a fragilidade e carência.

Elizabeth é nome de rainha, várias, quase com o poder de uma deusa. Juno é nome de deusa, mas com o pé-no-chão, o risco e a coragem que as rainhas deveriam ter.

Elizabeth é a Rainha Virgem. Juno vê sua vida mudar quando deixa de ser.

Uma parece fadada a jamais ser mãe – a idade vai passando e a vida vai ficando pelo caminho -, embora tenha milhares de filhos. A outra tem a oportunidade cedo demais; não teve mãe, não entende a madrasta, e sabe que não tem vivência para saber o que fazer com essa maternidade precoce.

Duas grandes mulheres, em idades diferentes, em épocas diferentes, maturidades diferentes. Mas em situações não tão díspares assim.

Duas grandes interpretações, da experiente Cate Blanchett e da jovem Ellen Page.

Não (as) perca.

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Elizabeth - A Era de Ouro, cartazAlém da impressionante (mas nem por isso surpreendente) interpretação de Cate Blanchett, Elizabeth – A Era de Ouro tem coadjuvantes de peso. Há quem não goste de Clive Owen, criando um balaio injusto (para os dois) como se tivesse uma etiqueta “Eu quero ser charmoso e talentoso como George Clooney”. Owen é talentoso e, se tem o tal charme, o empresta com precisão para o papel. Melhor ainda que Owen está a sempre excelente Samantha Morton: ainda que duvide-se que Mary Stuart tenha sido a rainha destronada testuda que ela interpretou, Samantha é sempre uma atriz que vale a pena assistir.

A propósito, não podemos esquecer que o filme de Shekhar Kapur é filmado sob a visão dos vitoriosos. Talvez roteiro e diretor espanhóis tornem a maneira de se contar a história bem diferente. Mas é inegável que “Elizabeth – A Era de Ouro” é um grande filme e com (mais uma !) trilha sonora poderosa e direção de arte e figurinos caprichadíssimos. Como deve ser, e como a Elizabeth poderosa da igualmente poderosa Cate Blanchett merece.

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Deliciosa produção, com cara de despretenciosa mas muito caprichada, Juno acerta na simplicidade e na precisão. Atinge o público sem falsos moralismos ou pieguice, sem querer chocar ou inovar, faz rir (e também chorar) com facilidade e merece os prêmios de melhor roteiro original que vem conquistando. Não é drama nem comédia: apenas – e felizmente – uma ótima história, dessas que acontecem às pencas por aí.

Tal qual “Elizabeth”, os coadjuvantes – alguns pouco conhecidos, em ótimas atuações – são essenciais. É bom ver Jennifer Garner num papel bem mais interessante e difícil que a média que tem marcado sua carreira, ela está ótima no papel da “mãe que quer ser mãe apesar de”. Jason Bateman, J.K. Simmons e Allison Janney também estão ótimos. A trilha sonora (mais uma !) é uma delícia, para todos os gostos e começando com uma versão em inglês de nossa maravilhosa “O Amor em Paz”.

O que dizer de Ellen Page (que foi – eu nem lembrava – a Kitty Pryde de “X-Men” após ter arrasado como Hayley Stark em Menina Má.Com), céus, o que dizer de Ellen Page ? Uma cena só bastaria para descrevê-la: um olhar, um simples olhar que ela dá ao pai após ter contado sua novidade. Mas durante todo o filme Ellen Page é um furacão. Ninguém pode com ela. Dizer mais que isso é tentar descrever o que só podemos entender assistindo-a: vá ao cinema. Simples assim.

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Esse ainda não é o post sobre a categoria de Melhor Atriz do Oscar, mas como ambas concorrem, inevitável dizer que ambas merecem o tão cobiçado prêmio e cada um dos diversos outros que receberam. Nessa briga de foice, a estatueta da categoria (pra variar) mais difícil da disputa do Oscar deste ano pode acabar – também merecidamente, e tomara ! – nas mãos da soberba Edith Piaf de Marion Cotillard, vencedora do BAFTA e do Globo de Ouro…

… embora, ao meu ver, a grande favorita ainda seja a veterana Julie Christie, vencedora do outro Globo de Ouro e do Screen Actors Guild.

Parada dura. (Que bom !)

Tommy Beresford

Cate Blanchett em Elizabeth - A Era de Ouro / Ellen Page em Juno

~ por Tommy Beresford em fevereiro, 18 2008.

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