[Resenhas] O Último Dançarino de Mao

Conhecido por bons filmes da década de 80, como “Crimes do Coração” e “A Força do Carinho” (pelo qual foi indicado ao Oscar), Bruce Beresford é o cineasta australiano que dirigiu o premiado “Conduzindo Miss Daisy“: o filme levou o Oscar de Melhor Filme e mais outros três, mas a academia sequer indicou o diretor. Há muito tempo sem lançar um filme de grande expressão, Beresford novamente utiliza grandes doses de sensibilidade para construir um excelente filme que infelizmente poucos viram. “O Último Dançarino de Mao” (deveria ser “Bailarino”, mas é apenas um detalhe) tem delicadeza sem pieguice contando, de forma ao mesmo tempo eficiente e emocionante, uma história baseada em fatos reais que, tomara, tenha relembrado a alguns espectadores que determinação e coragem são necessários para enfrentar desafios (muitas vezes nem escolhidos por nós, como mostra a história do filme).

“O Último Dançarino de Mao” é uma adaptação de “Adeus China: O Último Bailarino de Mao”, livro autobiográfico de Li Cunxin, personagem principal do filme, que chega aos Estados Unidos para estudar balé na Houston Ballet, companhia do Texas, em 1979. Por meio de flashbacks, o cinéfilo é remetido a Qingdao, onde a família de Li vive em condições precárias numa China que idolatra Mao Tse Tung. Li é convocado, com apenas 11 anos, para uma seleção que o levaria a Pequim, e acaba se tornando um bailarino que precisa vencer a saudade de casa e suas próprias limitações.

Com direção de arte impecável, a parte do filme que mostra a infância e adolescência de Li ainda na China é primorosa, com bela reconstituição de época. Vale destacar os dois atores que vivem o protagonista antes de se tornar adulto (Wen Bin Huang faz Li criança; Guo Chengwu é o Li adolescente), além de Chi Cao, que faz Li adulto já nos EUA.

É preciso destacar também a ótima atuação de Bruce Greenwood, que interpreta o diretor artístico da Houston Ballet, Ben Stevenson, inteligentemente sem cair no estereótipo “coreógrafo homossexual afetado”. A relação de um Li que quase não sabe falar inglês e Bruce, que o acolhe num país desconhecido, lembra de longe o recente (e excelente) filme argentino “Um Conto Chinês”, mas apenas de longe.

O grande dilema de Li é conseguir se adequar aos padrões americanos sem se perder dos ideais políticos com o qual fora criado, e o diretor Beresford tenta sempre evitar os clichês sem transformá-lo em um filme político (nem num filme apenas sobre balé). Mas na “parte americana” do filme, clichês acabam sendo mesmo inevitáveis, incluindo aí a velha questão do “o que é melhor: capitalismo ou comunismo ?”. Em alguns momentos, a produção não evita aquele olhar “América é tudo” e, com isso, próximo ao final, o diretor quase deixa tudo a perder. Mas felizmente Beresford se redime em 20 minutos finais de belo cinema, que inevitavelmente emocionam. Os espectadores aplaudiram o filme ao final da sessão. Recomendo.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em janeiro, 26 2012.

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