[Resenhas] Gomorra

gomorra_cartazEnquanto escrevo esta resenha recebo a notícia de que Gomorra foi indicado ao BAFTA de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Uma indicação justa, entre as muitas que o filme ainda irá receber, talvez inclusive a do Oscar.

“Gomorra” venceu o Grande Prêmio do Festival de Cannes em 2008 e é baseado no livro homônimo de Roberto Saviano. É um ótimo filme. Nos cartazes espalhados pelos cinemas, há uma curiosa menção a um filme brasileiro: “É o ‘Cidade de Deus’ italiano”. Pode até ser, mas o fato é que Gomorra não causa o mesmo impacto do filme de Fernando Meirelles que conquistou o mundo inteiro, a ponto de ser cultuado nos Estados Unidos como um dos melhores filmes produzidos no século 21 em todo o mundo.

Não que a história contada pelo diretor Matteo Garrone (roteirista junto com vários outros colaboradores) seja menos bem escrita ou impactante que o roteiro de Bráulio Mantovani. O filme não retrata a máfia com qualquer glamour, muito menos com o romantismo de (boas) produções americanas sobre o tema. É cruel como a verdade do submundo ilícito das drogas e, segundo o noticiário recente, a ficção se mistura com a realidade, já que alguns artistas envolvidos na produção estão sendo investigados por suposta ligação com a máfia real.

Mas se o filme fosse falado em português, a realidade italiana seria muito semelhante à que as grandes metrópoles brasileiras vivem há muitas décadas, de forma cada vez mais acentuada. Daí não ser novidade dores e dramas retratados no filme: tudo é bem próximo, guardadas as diferenças geográficas e culturais, do que se vê em qualquer noticiário de jornal e do que se imagina – ou não – que aconteça no dia-a-dia do tráfico das favelas e periferias.

São diversas boas tramas que se entrelaçam no filme – com destaque para a dupla Ciro e Marco, marginais ‘pão-com-ovo’ apaixonados por “Scarface” de Brian De Palma – mas nenhuma delas é em nada diferente das nossas, vide a questão dos depósitos de lixo tóxico, por exemplo, muito menos a da falsificação de produtos (no filme, é retratada a clonagem de vestuário).

Gomorra é, portanto, uma produção com história bem contada, que vale a pena ser assistida, com ótima direção em cima da crueldade do crime, deve ganhar vários prêmios… mas não surpreende, principalmente a quem já assistiu ao supracitado e muito mais impressionante “Cidade de Deus”, e nem faz o espectador se apaixonar pelo filme.

Pelo menos o espectador brasileiro.

~ por Tommy Beresford em janeiro, 08 2009.

2 Respostas to “[Resenhas] Gomorra”

  1. O cinema italiano “produziu” um filme brasileiro: na forma, na linguagem, na ambientação e nos próprios tipos de marginais. Tudo parece muito familiar, até um “inferninho”, com prostitutas dançando peladas para a assistência. Realmente, se falado em portugues não daria para notar diferenças. É a “globalização” da violência da perifería. Vale pela denúncia.

  2. Achei mais italiano que brasileiro, na verdade. Falta emoção, numa linguagem mais própria da Europa que da América(s). Um soco no estômago, mas com cuidado.

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