[Resenhas] Precisamos Falar Sobre o Kevin

O livro foi lançado em 2007. O filme, em 2011. “Precisamos Falar Sobre o Kevin“, porém, soa meio atemporal, pelo menos se levarmos em consideração os EUA das últimas décadas. Mais do que a pespectiva de uma mãe sobre um filho, digamos, problemático (muito pouco para descrevê-lo, mas prefiro não contar muito sobre o filme, como sempre), a produção fala sobre uma família de classe média americana de um país em que quase tudo parece sempre funcionar… ao jeito deles. Qualquer mudança neste “esquemão”, portanto, parece inacreditável, em especial por quem está de fora do problema.

O fato é que a escritora Lionel Shriver estudou dezenas de casos, inclusive o famoso massacre de Columbine (1999), onde Eric Harris e Dylan Klebold, jovens de 18 e 17 anos na época, se suicidaram após assassinar nada menos que doze colegas e também um professor em seu colégio no Colorado. O livro gerou então um ótimo filme dirigido por Lynne Ramsay, em seu primeiro longa de expressão: pungente, tocante, porém pesado (especialmente para quem tem filhos), a diretora por vezes erra a mão pondo um pezinho no mau gosto, como na cena de Kevin devorando uma lichia enquanto os pais conversam sobre o “problema ocular” da filha.

As idas e vindas temporais também atrapalham um pouco: às vezes, precisamos ficar atentos aos cabelos da mãe… Mas o elenco é ótimo. John C. Reilly está perfeito como o pai excessivamente permissivo de Kevin. Já Ezra Muller, em uma atuação surpreendentemente contida em um papel que poderia cair no excesso, acerta a mão na interpretação do Kevin já adolescente: o ator foi indicado a melhor ator coadjuvante no British Independent Film Awards. Mas tanto Rock Duer (Kevin bem novinho) e Jasper Newell (Kevin entre 6 e 8 anos) são apaixonantes… se é que podemos usar este termo neste caso…

Impossível é não destacar quem de fato brilha no filme. Tilda Swinton, absolutamente excepcional, interpretando a mulher que não sabe bem o que fazer de sua vida em meio às exigências de uma mãe dedicada a um filho que, a princípio, “não corresponde”. Sem nenhum momento em que ultrapasse o tom, Tilda mereceu vencer como melhor atriz em premiações como o Austin Film Critics Association Awards, o European Film Awards, o National Board of Review e o Online Film Critics Society Awards. Ficou de fora das indicações do Oscar 2011/2012, e agora entendo: se tivesse figurado entre as cinco, talvez Meryl Streep não tivesse levado seu terceiro Oscar. Tilda está — e, por este e por outros trabalhos, é uma atriz mais que — brilhante.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em abril, 25 2012.

Uma resposta to “[Resenhas] Precisamos Falar Sobre o Kevin”

  1. O filme bate pesado na ferida dos americanos: a violencia juvenil. Jovens que praticam violencia nas escolas e outros redutos, sem aparentemente nenhuma justificativa, são frutos de uma nação que ainda olha para o seu proprio umbigo. Um ótimo filme para se refletir dos momentos atuais.

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