[Resenhas] Amores Materialistas

Há anos eu aviso: não escolha (nem aposte) em um filme por causa do trailer. Trailers mentem, entregam um filme errado (ou entregam o filme inteiro). Como evito spoilers a todo custo, eu só soube agora que “espectadores estão reclamando” de “Amores Materialistas”… por causa do trailer.

Segundo divulgado, o trailer promete um triângulo amoroso e piriri pororó. De fato, promete mesmo uma típica comédia romântica e piriri pororó. Mas o filme é de Celine Song, bebês. Vocês acham que a diretora que foi indicada (em seu filme de estreia!) ao Oscar, também como roteirista, faria algo banal depois do incrível “Vidas Passadas”?

Na primeira meia hora, um pouco mais talvez, o filme aparenta ser tão romântico quanto divertido, aquelas doses ácidas e adocicadas que a gente merece, piriri pororó, em cima de um tema até sem graça. Mas o roteiro de Song vai trazendo aos poucos, com maestria, mais drama do que tão somente romance, e a diretora mais uma vez nos mostra sua excelência. O timing “folgado”, as escolhas apuradas de quando mudar o foco: uma mestra na escolha de closes (bela parceria com Shabier Kirchner, diretor de fotografia) e na direção de atores.

E aí a gente agradece aos deuses do cinema que, mesmo com nas teias hollywoodianas da “vida urbana corriqueira”, tenhamos uma grande diretora desses tais atores aparentemente “apenas ok”. Song tira de Dakota Johnson e Pedro Pascal exatamente aquela delicadeza quase silenciosa que nos abre o sorriso: ambos estão totalmente “na medida”. E aí de repente a gente se dá conta que talvez Chris Evans nunca tenha tido oportunidade de brilhar tanto: seu melhor papel no cinema, não tenho a menor dúvida.

Enfim… não chega a ser um filme excepcional, piriri pororó, mas aquece, emociona (chorei baldes) e nos faz refletir. Entregue-se nessa ótima nào-comédia-romântica, viaje na trilha delicada e incrível… Adorei.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em agosto, 04 2025.

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