[Resenhas] Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith (20 anos depois)

Como terá sido minha reação a “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith” à época de seu lançamento? Talvez não tão boa, afinal minha (limitada) memória não me permite lembrar (ao contrário do bem mais antigo “O Império Contra-Ataca”, o excepcional “segundo filme, porém o quinto” que, em 1980, se tornou um dos filmes favoritos “da vida” de um menino de apenas 11 anos)… Hoje, décadas depois, ao assistir ao “sexto filme, porém o terceiro” terei tido (outra época, “outra vida”) a mesma sensação?

A sequência tem essa confusão insana mas, no fundo, necessária: os filmes 4, 5 e 6 começaram a bem sucedida saga. “Star Wars” é do longínquo ano de 1977 e, não há qualquer dúvida, revolucionou o cinema — “ainnnn, mas…”, parem, apenas parem, não há “ainnnn, mas” possível: “Guerra nas Estrelas”, o “primeiro filme, porém o quarto”, é um clássico. Mas a ordem invertida de George Lucas é simplesmente perfeita ainda que, em 1977, ninguém pudesse prever como estaria tudo — o cinema, o mundo” — em 2005.

E em 2025? “A Vingança dos Sith” é mais atual do que nunca, mesmo que, vinte anos atrás, Lucas possa ter sido acusado de ter sido influenciado pela Era Bush… bullshit. Tanta coisa aconteceu com o planeta e (pensando no que Brasil e EUA politicamente enfrentaram e enfrentam nos últimos anos) não diminui em nada a força intergaláctica da história do filme (eu sei, parece estranho, mas em vários momentos da exibição me lembrei desse “presente-passado recente”).

A primeira metade do filme é estranha. Lá está aquele timing esquisito de diálogos idem, aquela relação amorosa de falas esquisitas entre um Hayden Christensen tão deslumbrantemente lindo quanto canastrão e uma talentosa e ainda tão jovem Natalie Portman tão deslumbrantemente linda quanto inconsistente. Ainda assim, em meio a seres de vozes escalafobéticas, explosões e trânsito de naves, há uma “ingenuidade” gostosa, um sarcasmo bem humorado (embora mais discreto que nos outros longas) que nos capturam. E os efeitos especiais continuam tão sedutores quanto a trilha extraordinária de John Williams. E Ewan McGregor continua tão perfeito quanto seu penteado em qualquer situação. A história é simples, no final das contas, mas chegava a 2005 cheia de mistérios…

Gostaria de saber o que escrevi a respeito no lançamento, uma época em que era um blogueiro frenético e “famosinho”, justamente o ano em que (talvez por isso) fui hackeado e “deletado”, quando então me retirei para o exílio “tal qual Yoda” e, tempos depois, retornaria com meu pseudônimo. Mas não (me) importa: sem dúvida eu terei achado, na época, a segunda metade do filme excepcional. Magnífica, ontem, hoje e sempre. Os episódios 4 a 6 traziam poucas referências ao que seria filmado somente a partir da virada do século, mas Lucas explica muito bem em “A Vingança dos Sith” o que todos desejávamos saber. E, afinal, “ao final”, o menino de 11 anos, hoje com façam-as-contas, sai plenamente satisfeito e emocionado da sala escura em 2025 com a sensação de que o Cinema, com esse C maiúsculo de cativante, comovente e colossal, continua me/nos proporcionando momentos de puro êxtase.

Tommy Beresford

~ por Tommy Beresford em abril, 29 2025.

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