[Resenhas] Diversos filmes de 2025 – Primeiro Trimestre

Além das resenhas “grandes” para alguns entre as dezenas de filmes assistidos por mim durante 2025…

Interestelar… dez anos depois [janeiro]
Aqui [janeiro]
Conclave [janeiro]
Emilia Pérez [fevereiro]
Flow [fevereiro]
Um Completo Desconhecido [março]
Milton Bituca Nascimento [março]

… também teci pequenos comentários nas redes sociais sobre filmes diversos.

É importante frisar que estes pequenos textos foram escritos na época, logo após sair do cinema, portanto algumas referências (como as das expectativas para o Oscar) são datadas:

— NOSFERATU [janeiro]

Ótimo filme: pesado pesadíssimo, como “Nosferatu” precisa ser. O início parece confuso, “tudo ao mesmo tempo agora”, mas é preciso “se jogar” na história sem pudor. Destaque para a fotografia, favorita ao Oscar 2024/2025. Pra quem suporta o tranco, recomendo.

— BABYGIRL [janeiro]

Pode falar o que quiser, pode implicar o quanto quiser, mas Nicole Kidman é impressionante. Faz o que quiser com excelência indiscutível. Ajudado por uma trilha sonora exuberante, “Babygirl” é muito bom (não mais que isso), e Nicole é bem melhor que o filme, que fala o tempo todo sobre poder mas deixa que o espectador interprete à sua maneira os vários “papéis” de cada personagem – o protagonista, por exemplo, me irritou tremendamente, mas talvez não a vocês. Premiada em Veneza, Nicole merece todas as indicações e prêmios que vem recebendo pelo filme, e é forte candidata ao Oscar.

— MARIA CALLAS [janeiro]

“Maria Callas” é um filme interessante, mas cansativo e quase modorrento, focado no sombrio e no opaco, com uma escolha de fotografia equivocada, sobre o que teriam sido os últimos dias da artista. Um exercício de contenção para a atriz, lindamente interpretando um réquiem para a diva. Tal como acontece com Nicole Kidman no recente “Babygirl”, Angelina Jolie é muito maior que o filme, neste que é um dos maiores desafios de sua carreira, merecidamente indicada ao Globo de Ouro e ao Critics Choice.

— CHICO BENTO E A ÁRVORE MARAVIOSA [janeiro]

“Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa” é fofo, ensolarado e divertido. Depois do sofrível e nebuloso “Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo”, o cinema volta ao universo de Maurício de Souza com leveza e excelência. Destaque absoluto para o protagonista Isaac Amendoim, um assombro. A participação de Taís Araújo traz poesia e “mensagem”, mas o melhor do filme é mesmo a oportunidade de ver as crianças se encantando e aplaudindo no final. E o final é tão singelo quanto lindo e, claro, chorei baldes. Levem seus pequenos.

— ANORA [janeiro]

A temporada do Oscar 2024/2025 definitivamente é de grandes filmes “fora da casinha”: não há fofices, é só pauleira. Vencedor da Palma de Ouro de 2024 em Cannes, “Anora” é surpreendente. Começa feérico, quase “porn”, escandalosamente incrível em cada uma das dezenas de microcenas que se sucedem. Com uma direção impressionante e um elenco mega afiado, se torna uma comédia rasgada e finaliza como deveria: na tranquilidade de um belo drama. Tudo amarrado pela interpretação sensacional de Mikey Madison, a maior vencedora do prêmio de Melhor Atriz da temporada. Arrasadora Mikey. Arrasador “Anora”.

— COVIL DE LADRÕES 2 [fevereiro]

Entretenimento e ar condicionado apenas. George Butler entrando no mesmo balaio de Liam Neeson e outros: desperdício de talento.

— ACOMPANHANTE PERFEITA [fevereiro]

Poderia ser um filme bobo sobre uma história boba. Mas “Acompanhante Perfeita” é um entretenimento ótimo, com uma história atraente e bem desenvolvida, trilha sonora ótima… me surpreendi. Destaque para a incrível Sophie Thatcher, simplesmente perfeita (ops).

Entretenimento, tá? Mas gosto quando me surpreende e sai do lugar comum, ainda que falando de um lugar comum.

E, em tempo, falando de como o homem pode ser escroto.

— CAPITÃO AMÉRICA 4: ADMIRÁVEL MUNDO NOVO [fevereiro]

Acompanho todos os filmes da Marvel desde o paleolítico, sempre nos cinemas, como deve ser. Alguns realmente são incríveis, outros apenas ok. “Capitão América 4” é apenas um bom filme, e está bom assim. Anthony Mackie é excelente ator e está ótimo, mas o destaque absoluto é Harrison Ford, apesar da “cena vermelha”.

— BRIDGET JONES: LOUCA PELO GAROTO [fevereiro]

Talvez “Bridget Jones: Louca Pelo Garoto” seja o melhor filme da saga. Ainda que não haja grandes surpresas, me emocionou muito mais que o esperado. E uma das “culpadas” sem dúvida é Renée Zellweger: perfeita no papel e para o papel, tanto quanto no primeiro filme, Renée brilha intensamente. Chorei 543775479 baldes. Compre sua jujuba, emocione-se e divirta-se.

— O BRUTALISTA [fevereiro]

“O Brutalista” é um grande filme – literalmente: quase 4h de duração, com 15min de intervalo. Talvez seja a obra de arte de Brad Cobert, mas não é uma obra prima — e existe uma grande diferença nisso. Dividido em partes, a primeira é a melhor, o filme se perde um pouco no final (e, de fato, poderia ter 1h a menos, vamos combinar).

Adrien Brody merece de fato o Oscar de Melhor Ator, e queimei a língua quando reclamei que Felicity Jones “roubou” a vaga de Margaret Qualley (“A Substância”, uma das principais vencedoras dos prêmios de Atriz Coadjuvante): sempre excelente, Felicity entra na segunda parte do longa e rouba a cena. Mas preciso citar Guy Pearce, que levou vários prêmios também de coadjuvante: Pearce está arrasando também, mas não é o favorito na categoria.

— O REFORMATÓRIO NICKEL [março]

Se ninguém te contou, eu conto: “Nickel Boys” (que tive que assistir – finalmente – no Prime) é o mais incrível e perturbador filme da safra 2024/2025 do Oscar que estreou em 2025 (eu disse “que estreou de 2025”). Concorreu às estatuetas de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado (nesta categoria, levou inúmeros prêmios). Menção honrosíssima ao trabalho excepcional de Aunjanue Ellis-Taylor (Melhor Atriz Coadjuvante pelo St Louis Film Critics).

Um filme incrível. Assistam.

— MICKEY 17 [março]

O novo filme de Bong Joon Ho não vai ser unanimidade — mas “Parasita” também não foi. O diretor leva sua ácida crítica sobre o capitalismo a condições estratosféricas — ou melhor, espaciais: “Mickey 17” é uma “comédia de ficção científica”, mas aspas nisso. Que tal falarmos de ética, raça pura, guerra, puritanismo, falsos pastores, ditadores esquisitos, tudo num mesmo balaio? Talvez Bong Joon Ho exagere na dose, mas pra mim basta a cena do jantar para o filme me conquistar plenamente. E, afinal, com quem Mark Ruffalo se parece (ou “quens”)?

Com o auxílio luxuoso de Toni Collette e um Robert Pattinson se desdobrando (ops) em excelente performance, vai ter gente amando, vai ter gente odiando: estou no primeiro grupo, achei fabuloso.

— CÓDIGO PRETO [março]

Bom entretenimento pra quem gosta de um misteriozinho e muita falação (portanto, tem que prestar bastante atenção). Cate Blanchett é fabulosa até fazendo um papel “estou ali tomando um vento na curva tentando lamber meu cotovelo”. Gostei, afinal adoro essas coisas, mas nada de oooooohhhhh, Soderbergh já nos deu coisas melhores. E tem Marisa Abela pós-Amy.

— BETTER MAN: A HISTÓRIA DE ROBBIE WILLIAMS

Sem sombra de dúvida, uma cinebiografia como você nunca viu. Indicado ao Oscar 2024/2025 de Melhores Efeitos Visuais, “Better Man – A História de Robbie Williams” é tão surpreendente quanto espetacular: numa história bem contada, mistura os percalços da fama, humor, acidez e, acima de tudo, sabe como e onde emocionar. Só a sequência na saída da primeira gravadora já valeria o ingresso. Destaque para a incrível edição. Gostei imensamente. Nos cinemas.

— THE ALTO KNIGHTS: MÁFIA E PODER [março]

Ainda que seja baseado em fatos e o tema seja máfia (e quantos ótimos filmes sobre máfia assistimos ao longo das décadas), “The Alto Knights: Máfia e Poder” é “estaduniense” demais, e acaba sendo cansativo pelo excesso de fala-fala-fala: um filme sem pausas, sem silêncios, é “palavra” o tempo todo. Na segunda metade, melhora, mas ainda assim estica demais certas sequências.

O (único) grande mérito do longa de Barry Levinson é a atuação de Robert De Niro: ainda que o filme não esteja no seu Top10 de melhores filmes, sem dúvida é mais um show do ator, aos 81 anos, com “bifões” em dose dupla. A cena do encontro dos dois protagonistas numa mesa de restaurante depois da audiência no Senado deveria ser mostrada em toda escola de artes dramáticas. Viva De Niro!

— BRANCA DE NEVE [março]

A versão live action de 2025 para “Branca de Neve” é apenas um bom filme, sem grandes invencionices ou “mas hein?”. Sua principal virtude é se manter fiel à versão do clássico de 1937 da Disney — não o tempo todo, mas bastante, e ainda que o final seja bastante “criativo e interessante”. As protagonistas estão bem… E encontramos um defeito na talentosa Gal Gadot: ótima no papel da rainha, esbanjando a beleza que de fato encantaria até um espelho, ela canta em algumas cenas — apesar das notas afinadas, ela definitivamente não é uma boa cantora. Compre sua pipoca, não espere muito e conheça mais esta versão para Snow White.

~ por Tommy Beresford em abril, 01 2025.

Deixe um comentário