Fernanda Young (1970-2019)

Fernanda Young

A atriz, escritora, roteirista, apresentadora de TV e colunista de O GLOBO, Fernanda Young morreu, aos 49 anos, em 25.08.2019, no sítio da família em Gonçalves (MG). Deixa marido, o roteirista Alexandre Machado, e quatro filhos.

No Globo Online:

As causas da morte não foram divulgadas, mas segundo pessoas próximas, ela teve uma crise de asma seguida de parada respiratória.

O enterro deve ocorrer neste domingo, 25.08.2019, às 16h15, no cemitério de Congonhas, em São Paulo (SP).

Young estava prestes a estrelar a peça “Ainda Nada de Novo”, onde vivia um casal de artistas com Fernanda Nobre. A estreia estava marcada para 12 de setembro de 2019:
Fernanda Young viverá casal gay com Fernanda Nobre em peça em SP

Fernanda Young

Além de apresentadora e roteirista, Fernanda atuou na TV como atriz em trabalhos como “O dono do mundo” (1991), como Jurema. Mas seus maiores sucessos foram mesmo como autora da série “Os Normais” e debatedora da primeira versão do “Saia Justa”.

Sucesso de audiência na TV estrelado por Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães como o casal Vani e Rui, a série “Os Normais” ficou no ar até 2003 e ganhou dois longas-metragens para o cinema, em 2003 e 2009.

No cinema, como roteirista, fez em 2000 “Bossa Nova”, em 2003 “Os Normais – O Filme”, em 2006 “Muito Gelo e Dois Dedos d’Água” e 2009 “Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas”.

Fernanda foi indicada a dois Emmys internacionais, pelos seriados “Separação?!” (2010) e “Como Aproveitar o Fim do Mundo” (2012). No UOL:

Também escreveu e atuou na série de comédia Surtadas na Yoga, ao lado de Flávia Garrafa e Anna Sophia Folch, que a mesma GNT produziu entre 2013 e 2014. Seu trabalho mais recente foi na série Shippados, lançada pelo streaming Globoplay e estrelada por nomes como Tatá Werneck, Clarice Falcão e Eduardo Sterblitch.

Leia mais clicando aqui.

Fernanda Young

No Wikipedia:

Sua formação literária foi em parte constituída durante a travessia da baía de Guanabara em barcas ou ônibus. Dedicou-se aos livros na busca de aperfeiçoamento, influências e distração. Interrompeu os estudos após a conclusão do ensino fundamental, posteriormente concluindo o médio por meio de um supletivo de seis meses. Frequentou a faculdade de Letras da Universidade Federal Fluminense, sem chegar a se formar. Ainda viria a cursar Jornalismo na Faculdade Hélio Alonso e, depois de mudar-se para São Paulo e iniciar sua carreira de escritora, virar aluna de Rádio & Televisão na FAAP, mas não terminaria nenhum dos cursos. Fernanda teria jurado nunca mais pisar em um campus universitário após as experiências, mas atualmente está cursando Artes Plásticas na FAAP.

Em 1995, foi roteirista do programa televisivo A Comédia da Vida Privada, da Rede Globo. No ano seguinte, Fernanda lançou seu primeiro romance, Vergonha dos Pés, que já tem mais de 15 edições. No ano seguinte, lançou À Sombra de Vossas Asas, que conta a história de amor, obsessão e vingança entre o fotógrafo Rigel (que reaparece no livro Aritmética) e da aspirante-a-top-model Catarina, que teve os direitos comprados por uma produtora de Hollywood interessada em fazer um filme da história.

A princípio, os livros de Fernanda conseguiram boa exposição na mídia devido à sua persona peculiar, suas declarações controversas, sua obsessão com cultura pop e seu visual, construído por cabelos geralmente curtos, grandes tatuagens e, por algum tempo, ostensivas pulseiras de baquelite das décadas de 1920 a 1950.

Em 1998 lançou o romance Carta para Alguém Bem Perto, seguido pelo criticado As Pessoas dos Livros (2000). Em 2001, após o lançamento de seu quarto romance, O Efeito Urano, Fernanda retomou a carreira de roteirista de televisão, com Os Normais.

Última coluna de Fernanda Young:

Bando de cafonas
(Última coluna de Fernanda Young)

A Amazônia em chamas, a censura voltando, a economia estagnada, e a pessoa quer falar de quê? Dos cafonas. Do império da cafonice que nos domina. Não exatamente nas roupas que vestimos ou nas músicas que escutamos — a pessoa quer falar do mau gosto existencial. Do que há de cafona na vulgaridade das palavras, na deselegância pública, na ignorância por opção, na mentira como tática, no atraso das ideias.

O cafona fala alto e se orgulha de ser grosseiro e sem compostura. Acha que pode tudo e esfrega sua tosquice na cara dos outros. Não há ética que caiba a ele. Enganar é ok. Agredir é ok. Gentileza, educação, delicadeza, para um convicto e ruidoso cafona, é tudo coisa de maricas.

O cafona manda cimentar o quintal e ladrilhar o jardim. Quer todo mundo igual, cantando o hino. Gosta de frases de efeito e piadas de bicha. Chuta o cachorro, chicoteia o cavalo e mata passarinho. Despreza a ciência, porque ninguém pode ser mais sabido que ele. É rude na língua e flatulento por todos os seus orifícios. Recorre à religião para ser hipócrita e à brutalidade para ser respeitado.

A cafonice detesta a arte, pois não quer ter que entender nada. Odeia o diferente, pois não tem um pingo de originalidade em suas veias. Segura de si, acha que a psicologia não tem necessidade e que desculpa não se pede. Fala o que pensa, principalmente quando não pensa. Fura filas, canta pneus e passa sermões. A cafonice não tem vergonha na cara.

O cafona quer ser autoridade, para poder dar carteiradas. Quer vencer, para ver o outro perder. Quer ser convidado, para cuspir no prato. Quer bajular o poderoso e debochar do necessitado. Quer andar armado. Quer tirar vantagem em tudo. Unidos, os cafonas fazem passeatas de apoio e protestos a favor. Atacam como hienas e se escondem como ratos.

Existe algo mais brega do que um rico roubando? Algo mais chique do que um pobre honesto? É sobre isso que a pessoa quer falar, apesar de tudo que está acontecendo. Porque só o bom gosto pode salvar este país.

Fonte:
https://oglobo.globo.com/cultura/em-sua-ultima-coluna-fernanda-young-sentencia-cafonice-detesta-arte-23903168

Fernanda posou para a Playboy em 2009:
Fernanda Young: “Fiz a Playboy porque eu queria ganhar a roupa da coelhinha”

Leia também:
‘Longe de encerrar jornada nessa orbe’, disse Young um dia antes de morrer

Texto de Fabrício Carpinejar após a morte de Fernanda:

OS DESEJOS NÃO MORRERAM JUNTO
(Fabrício Carpinejar)

– Prefiro ser levada no lugar dele!

Foi o que Fernanda Young me disse no mês passado, em nossa última apresentação, em Curitiba (PR). Referia-se ao marido Alexandre Machado, também escritor, internado por pneumonia no início de ano.

Ela o amava tanto que não admitia a vida sem o seu parceiro de roteiro, de casamento e de filhos.

Sua frase agora me perturba. Pela generosidade por detrás da aparência de transgressão.

Alexandre se recuperou, Fernanda partiu de imprevisto. Ambos mereciam um amor velhinho, de mãos dadas.

Já tínhamos travado vários ciclos de debates, já tínhamos dividido viagens, e nunca perdia a curiosidade de vê-la de manhã, se estaria de chapéu, de óculos escuros, maquiada, de echarpe, de vestido, de macacão, de abrigo, de cara lavada, de batom, de boné, de coturno, de sandália. Encontrá-la era um show particular.

Ela não acordava como a maioria das pessoas, mas se inventava. Sempre fazia a homenagem a uma artista de cinema ou a uma autora predileta. Já a flagrei de Greta Garbo e de Collete. Mesmo que ninguém identificasse as oferendas, ela sentia prazer em ser um santuário.

Fernanda Young não poderia ter ido embora precocemente, aos 49 anos, de parada cardíaca depois de crise de asma.

Que avise a morte que ela cometeu uma falha. Veio antes da hora. Surgiu fora do combinado. Trocou a encomenda. Confundiu-se de endereço. Pegou a estrada errada de Gonçalves (MG).

Não existia obituário. Não foi feita carta. Não havia rascunho de testamento, malas feitas, portas fechadas.

Estava com peça para estrear no início de setembro, “Ainda Nada de Novo”. Reescreveu inédito da adolescência, disposta a lançar a obra neste ano. Vinha colhendo o sucesso de audiência da série Shippados, da Globo.

Mostrava-se entusiasmada de projetos, ocupada de planos, repleta de sonhos. O contrário de alguém que se despedia. O contrário de alguém que não estaria mais entre nós.

Sua última postagem parecia zombar do fim: “onde queres descanso, sou desejo”.

Foi um grande engano da morte. Um monumental estelionato da morte tirar o sopro desse coração selvagem, destemido, autêntico, passional.

Ainda espero que ela acorde amanhã, toda reinventada.

(Fabrício Carpinejar)

Update 27.08.2019 – Homenagem de Fernanda Nobre:

Fernanda Nobre e Fernanda Young

~ por Tommy Beresford em agosto, 25 2019.

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