Cinema brasileiro: Como difundir?

Matéria de Daniel Oliveira no site O Tempo fala da a importância do circuito de festivais como o principal mecanismo de difusão do cinema brasileiro contemporâneo:

“A História da Eternidade” teve sua estreia nacional no Festival de Paulínia de 2014, no qual recebeu uma ovação praticamente unânime. Estrelado por Irandhir Santos, o longa de estreia do diretor pernambucano Camilo Cavalcante rendeu múltiplas salvas de palmas durante a sessão, iniciando ali uma carreira de mais de 60 festivais e 27 prêmios, com a crítica consagrando-o como um dos melhores filmes brasileiros do ano – se não o melhor.

Ainda assim, quando foi lançado no circuito, ele não teve uma recepção tão calorosa. “A gente tentou lançar na rede Cinemark de Recife, na época. Pagamos o aluguel da sala para fazer a pré-estreia lá, com a promessa de que eles botariam o longa em cartaz. Daí, na semana do lançamento, disseram que não podiam porque tinham que voltar com os filmes do Oscar e com uma animação chamada “Tinker Bell”, que foi direto para DVD nos EUA”, lembra Cavalcante. No fim das contas, “Eternidade” teve cerca de 20 mil espectadores nos cinemas – um número que seu diretor tem certeza ter sido inferior à quantidade de pessoas que o viram nos festivais em que o longa foi exibido, desde Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, até Acre e Amapá.

O exemplo é apenas um de muitos que atestam a importância do circuito de festivais como o principal mecanismo de difusão do cinema brasileiro contemporâneo. Em um país no qual mais de 80% das cidades não possuem salas de exibição, os cerca de 300 eventos, realizados em todos os Estados e atingindo um público anual de mais de 2,5 milhões de pessoas, preenchem uma lacuna que a vigorosa economia audiovisual atual ainda não conseguiu suprir. “Todos os recursos do Fundo Setorial do Audiovisual são financiados pelo contribuinte, então é importante que o retorno disso seja mostrado. Os festivais são a atividade de retorno social desse investimento que o governo faz, tanto como mecanismo de acesso quanto de formação de público”, considera Sara Rocha, coordenadora do Festival de Brasília, o mais antigo do Brasil.

Existem mostras de todos os tamanhos – desde a enorme Mostra de São Paulo até a pequena Mostra de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte – e todos os recortes: cinema ambiental, infantil, universitário, LGBTQ… Essa diversidade toda, no entanto, está sob ameaça. Isso porque, diferentemente das cadeias de produção, distribuição e exibição – que são financiadas pelos bolsos recheados da Ancine e do FSA –, os festivais são uma competência da Secretaria do Audiovisual (SAv) do Ministério da Cultura (MinC), de orçamento bem mais modesto. Com isso, os eventos vivem à mercê da atual instabilidade das leis de incentivo e da crise econômica, e muitos têm reduzido drasticamente suas programações ou simplesmente cancelado suas edições.

Leia a matéria completa clicando aqui.

~ por Tommy Beresford em junho, 26 2017.

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