Norma Bengell (1935-2013)

Norma Benguell

Norma Benguell

Qual foi a atriz que poderia representar o cinema brasileiro nos últimos 25 anos ? Difícil responder. Mas, sem dúvida, nos 25 anos anteriores a resposta poderia ser Norma Bengell. O Cinema é Magia noticiou a luta desta grande artista em torno de sua saúde debilitada nos últimos anos:

https://cinemagia.wordpress.com/?s=norma+bengell

Infelizmente, por volta das 3h da madrugada desta quarta-feira, 09.10.2013, Norma faleceu. Ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Rio-Laranjeiras — Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro — desde o sábado, 05.10.2013. Há seis meses seus problemas se agravaram: Norma enfrentava problemas respiratórios, quando os médicos diagnosticaram um câncer no pulmão direito. No portal G1:

norma-bengel

A atriz foi uma das maiores musas do cinema e do teatro brasileiros nas décadas de 50, 60 e 70. Atriz, vedete, cineasta, cantora e compositora, Norma começou a carreira na música no início dos anos 50. Em 1959 lançou o primeiro disco, com músicas de Tom Jobim e João Gilberto. No cinema, participou de 64 filmes. Estreou nas telas aos 23 anos, no longa metragem o “Homem do Sputnik”, estrelado por Oscarito, onde fez sucesso parodiando a famosa atriz francesa Brigitte Bardot.

Norma Bengell fez história em 1962 ao exibir o primeiro nu frontal do cinema brasileiro aos 27 anos, no filme Os Cafajestes, de Rui Guerra. Nos anos 80, lançou-se diretora de cinema com “Eternamente Pagu”. Norma também participou de várias novelas como “Partido Alto” e “Sexo dos Anjos”, na TV Globo.

Veja a lista de filmes de Norma clicando aqui.

Ficha da atriz no IMDB:
http://www.imdb.com/name/nm0071034/

Após a cremação no Cemitério do Caju em 10.10.2013, suas cinzas serão jogadas na praia do Arpoador, na zona sul do Rio de Janeiro.

Nascida em 21 de Fevereiro de 1935 no Rio de Janeiro, seu nome completo era Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães D’ Áurea Bengell. Aos 16 anos desfilou para a Casa Canadá, no Rio. Contratada pelo produtor Carlos Machado, atuou como vedete em locais como a Night and Day e como cantora no Beco das Garrafas nas décadas de 50 e 60. Na TV, participou de um programa semanal na TV Tupi, onde semanalmente recebia personalidades da música popular brasileira, além de “Carrossel”, na TV Rio, e do programa “Noite de Gala”.

No início dos anos 60, esteve em Cannes com Anselmo Duarte, onde seu “O Pagador de Promessas” ganhou a Palma de Ouro. Pouca gente sabe, mas Norma participou de westerns como “O Filho de Django”, de 1967, e “Canhões Para Córdoba”, de 1970. Também constam de sua cinebiografia títulos como “Carnival of Crime” (1961), “Il Mito” (1963), “Il Cuori Infanti” (1963), “La Ballata Dei Mariti” (1963) e “La Costanza della Ragioni” (1964), entre dezenas de outros.

Norma Bengell em The Hellbenders, de Segio Corbucci (1967)

Norma Bengell em The Hellbenders, de Segio Corbucci (1967)

Norma foi também cineasta:

– 2005 – Infinitamente
– 2005 – Magda Tagliaferro – O mundo dentro de um piano
– 1996 – O guarani
– 1988 – Eternamente Pagu

Norma Bengell em O Homem do Sputinik (dir), Os Cafajestes (centro) e O Pagador de Promessas

Norma Bengell em O Homem do Sputinik (dir), Os Cafajestes
(centro) e O Pagador de Promessas

O último trabalho de Norma na TV foi como Deise Coturno, em 2009, no programa humorístico “Toma Lá, Dá Cá”:

Norma Bengell em Toma Lá Dá Cá

Norma Bengell em Toma Lá Dá Cá

oooh norma disco norma bengell

Norma também teve sua porção cantora. Seu primeiro sucesso foi o disco de 78 rotações com as músicas “A lua de mel na lua” e “E se tens coração” (da trilha sonora do filme “Mulheres e milhões”, de Jorge Ilely). No Wikipedia:

Em 1959, lançou “Ooooooh! Norma”, seu primeiro LP, com uma sonoridade bastante próxima da bossa nova, com várias canções de Tom Jobim e João Gilberto. Após anos gravando participações em trilhas sonoras e discos de outros artistas, seu segundo LP “Norma canta mulheres”, sai apenas em 1977, com composições de Dona Ivone Lara, Luli e Lucina, Marlui Miranda, Dolores Duran, Chiquinha Gonzaga, Rosinha de Valença, Glória Gadelha, Sueli Costa, Rita Lee, Joyce e Maysa, além de “Em nome do amor”, parceria de Norma com Glória Gadelha.

Leia mais clicando aqui.

Foto encontrada na internet

Foto encontrada na internet

Também esteve em capa de disco mesmo quando o disco nem era dela:

norma Bengell-Odeon

E na capa da Revista do Rádio, em 1960, entre tantas outras capas de revista…

NORMAB

Com o filme “O Guarani”, teve problemas com a prestação de contas:

Em 1996, seu segundo longa-metragem, “O Guarani”, lhe rendeu um processo judicial por suposto desvio do dinheiro público captado para a filmagem.

Em 2007, questionada pela revista “IstoÉ” sobre a prestação de contas do filme, ela respondeu:

“Não quero tocar nesse assunto que já me machucou demais. O filme passou no mundo todo, vendeu dez mil vídeos. Eu não devo nada a ninguém, são os ninguéns que devem muito a mim por terem tentado macular a imagem de uma mulher que trabalha.”

Em junho do ano passado [2012], a atriz e diretora contou ao programa “Domingo Espetacular”, da Rede Record, que estava à beira da falência por causa de dívidas com a Receita Federal. “Eu tinha um advogado que me roubou, me lesou e ele não pagou o Imposto de Renda. Então, dez anos de Imposto de Renda, e eu não tenho pagar isso, não tenho como”, afirmou.

Leia mais clicando aqui.

Norma na revista Cinelândia de novembro de 1964:

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Norma foi casada durante 30 anos com o ator italiano Gabrielle Tinti (1932-1991). O casamento foi realizado dentro do Estúdio da Vera Cruz (em São Bernardo do Campo, SP).

Em abril de 2011, o jornalista André Miranda, de O Globo, fez extensa reportagem sobre seus problemas de saúde:

Presa a dívidas, a uma cadeira de rodas e sem trabalho, Norma Bengell quer voltar ao cinema

Foto de Mônica Imbuzeiro no Globo Online: Norma Bengell em sua casa na Gávea aos 75 anos  - abril de 2011

Foto de Mônica Imbuzeiro no Globo Online: Norma Bengell em sua casa na Gávea aos 75 anos – abril de 2011

Como a memória do brasileiro é falha, em abril de 2010 foi confundida com a presidenta Dilma Rousseff numa foto dos tempos da ditadura:

Norma Bengell (à esquerda) e Dilma

Norma Bengell (à esquerda) e Dilma

O fato é que Norma é de um tempo em que os artistas realmente se engajavam nos protestos por direitos e por um Brasil melhor:

Norma Bengell, Paulo José e Odete Lara - Cinelândia, 1968

Norma Bengell, Paulo José e Odete Lara – Cinelândia, 1968

Tônia Carreto, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Bengell - 1968

Tônia Carreto, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Bengell – 1968

O ator Ney Latorraca comentou a morte da grande diva, de quem era fã e amigo. Do Globo Online:

Amigo íntimo de Norma Bengell, Ney Latorraca falou sobre a atriz e fez um apelo ao Festival do Rio, que termina nesta sexta. Apesar de nunca terem trabalhado juntos, ele deve seu sucesso a Norma, já que foi ela quem insistiu que ele abandonasse um projeto que fariam juntos no teatro, “Isadora” (em 1984), para encarar “Rabo de saia”, o que seria seu papel de maior destaque.

— Eu falei com ela ontem [08.10.2013], ela ainda viva. Acabei a ligação e pensei: “Falei com uma estrela” — diz Ney Latorraca ao GLOBO, interrompendo a ligação emocionado. — Ela se foi, mas um antúrio que ela me deu, de presente, ainda está aqui, de pé. Essa mulher lutou muito para que o cinema brasileiro fosse o que é. O Festival do Rio (que termina na sexta) seria melhor se prestasse uma homenagem a ela. Quando eu morava no Lido, ela vivia ali e eu a via passa

Outros depoimentos:

Marília Pêra, atriz, para a GloboNews
“A Norma foi se sentindo abandonada, desprotegida, doente, e era uma mulher muito talentosa. Depois que ela se casou com o Tinti, em cada verão que ela vinha ao Brasil, a gente tinha a sensação de que ela era uma estrela internacional que vinha visitar o Brasil tamanha a dimensão da Norma no mundo durante um tempo. Foi uma mulher muito bonita, uma vedete bonita.”

Marta Suplicy, ministra da Cultura, em comunicado
“Lamento a morte da atriz e cineasta Norma Bengell. Uma atriz que sobressaiu por sua ousadia e talento. Além de seus filmes, que se tornaram marcas do cinema nacional, recordo sua coragem enfrentando nas ruas, ao lado de Tônia Carreiro, Eva Wilma, Odete Lara e Ruth Escobar, a censura, a ditadura, e exigindo mais cultura. Merece nossas homenagens por tudo que representou. À família e amigos nosso pesar.”

Luciene Marques, que morou com a artista e há cerca de três anos virou sua procuradora
“Ela dizia que o corpo não prestava, mas a cabeça funcionava a mil. Era isso que a deixava perturbada. Ela queria trabalhar, mas o corpo não respondia. Ela não ficava pensando no que passou.”

Norma Bengell

Norma Bengell

José de Abreu, ator, pelo Twitter
“RIP Norma Bengell, minha paixão de adolescente! Ficamos amigos nos anos 90. Filmei com ela O Guarani.”

Aguinaldo Silva, dramaturgo, pelo Twitter
“Ela ficará sempre em nosso coração, em lembranças imortais”

Entre os filmes de destaque na carreira de Norma como atriz está “Os Cafajestes”, de 1962, onde ela exibiu o primeiro nu frontal da história do cinema brasileiro:

~ por Tommy Beresford em outubro, 09 2013.

Uma resposta to “Norma Bengell (1935-2013)”

  1. O Brasil não tem memória e não respeita os seus artistas.

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