Artur Xexeo: Lembranças do passado

Artur Xexéo

Artur Xexéo

Relembrando o texto “O Rio que passou em minha vida”, de autoria do jornalista Artur Xexéo e publicado no jornal O Globo em 22 de novembro de 2006, com muitas lembranças cinematográficas:

O Rio que passou em minha vida
(Artur Xexéo)

A coluna Gente Boa já dedicou duas edições às saudades que cariocas sentem do Rio. Ou de um Rio. De um Rio que cada um viveu e que não existe mais. Muitos Rios ficaram no passado. A gente não se dá conta agora, mas, certamente, há muitos Rios por aí para outras gerações sentirem saudades no futuro. Nada de nostalgia. Nem nostalgia futura. Mas eu também sou gente boa e tenho um Rio na memória. Divido com vocês as minhas saudades.

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Tenho saudades da uva caramelada que era vendida em tabuleiros na frente da Galeria Menescal, pelo lado da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Não encontrei nenhum doce no mundo que tivesse sabor tão bom. É sabor de infância. Aquele que a gente só sente uma vez.

Saudades da calda de chocolate quente como cobertura nos sorvetes da Sorveteria Zero.

Entrar na loja já era uma viagem. Era preciso passar pela escultura de uma casquinha gigante. A Zero lançou no Rio a casquinha de biscoito. Calda de chocolate quente e casquinha de biscoito era uma dupla imbatível.

Ar-condicionado do Metro Copacabana.

Nas tardes de verão, não importava o filme. O bom era aproveitar o “clima de montanha”, complemento muito mais atraente que os sacos de pipoca de hoje. Se fosse uma matinê com um dos filmes do festival Tarzan, então…

Galeria Menescal, Sorveteria Zero, Metro…

Três saudades localizadas na Avenida Copacabana.

Entrego os pontos: tenho saudades mesmo é da Avenida Copacabana. Antes do Rio Cidade.

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Pastel do Lopes… na Avenida Copacabana, é claro. Era melhor ainda quando degustado depois de uma sessão de cinema no Caruso.

Opa… Saudades das poltronas do Caruso.

Pizza brotinho no Tommy´s, na esquina da Miguel Lemos com Ayres Saldanha. De mozarela, do tamanho de um prato de sobremesa.

Com gordura escorrendo pela mesa, é claro.

Programa de domingo à noitinha.

Sanduíche de salada de ovo no Bob´s. Com muita mostarda. E sanduíche de salada de presunto. E sanduíche de queijo com banana.

E hot fudge.

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Cheesebacon no Chaplin, saboreado na calçada da Visconde de Pirajá. Nunca tinha lugar nas quatro ou cinco mesas da lanchonete. Era mais gostoso depois de uma peça no Teatro Santa Rosa.

Carrocinha do Geneal no calçadão da praia.

Cachorro-quente com mate gelado era o café da manhã de fim de semana.

Almoço de domingo, com toda a família, no segundo andar da Confeitaria Colombo de Copacabana.

Com música de piano ao vivo servindo de trilha sonora. Para casos muito especiais, como aniversário de avó.

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Água-de-coco e casquinha de siri no Bar Bem, em São Conrado. Era tão longe que havia quem acreditasse que era preciso passaporte para atravessar a fronteira na Avenida Niemeyer.

Tobogã em São Conrado para começar a noite de sábado. Depois de cair no escorregador gigante, a gente era apresentada aos crepes ao estilo francês. Ao ar livre também.

Sanduíche de sorvete no Ricky´s da Praça Antero de Quental.

Tobogã, Crepes e Ricky´s — tudo invenção de Ricardo Amaral. Saudades, portanto, de Ricardo Amaral. Antes da aposentadoria.

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Saudades da Rádio Tamoyo e do slogan “ouça agora a música que você pediu ontem, peça agora a música que você ouvirá amanhã”.

Do telefone público preto, da CTB, nas paredes dos botequins.

Do lustre do Super Bruni 70, onde eram exibidos os filmes de Dario Argento (os filmes passavam no Super Bruni 70, é claro, e não no
lustre).

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Do Cinerama no Roxy, onde todo mundo viu “Grand Prix”. E do Sensuround, também no Roxy, onde as poltronas tremiam nas cenas mais emocionantes de “Terremoto”.

Das sessões de meia-noite no Cinema I, onde minha geração foi apresentada aos filmes de Godard e Truffaut, que a geração anterior conheceu no Paissandu.

Saudades do cine Alvorada, no Posto 6 — acho que era menor do que a antiga Sala 3 do Laura Alvim — único lugar em que se podia ver Fellini e Jacques Tati.

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Da banca de frutas no Lamas do Largo do Machado.

Do Teatro Ipanema, não importava qual fosse a peça. A gente ia porque tinha o aval de Rubens Correa, Ivan de Albuquerque e Leila Ribeiro.

Dos shows da Bethânia do Teatro Miguel Lemos, dos de Elis no Teatro da Praia e de qualquer um nos verões do Teatro Tereza Rachel.

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Do letreiro luminoso da TV Rio, uma maneira de se saber que, depois dali, não tinha mais Copacabana.

(Artur Xexéo, 22.11.2006)

~ por Tommy Beresford em junho, 15 2009.

2 Respostas to “Artur Xexeo: Lembranças do passado”

  1. o filme e de 85

  2. farah festas…maravilhoso…na joatinga; vista , tipo de música, decoração, alimentação, boa companhia ( MARAVILHOSO )

    comer milho no bar bem em são conrado…..

    comer milho no bar “pot” em são conrado…

    ir nos motéis:
    Tokyo, Playboy, Xa Xa Xa, Barra tourist, Skorpios, Dunas, Marbella, Vip’s, King’s,
    Escort, Praia Linda, Verlaine no centro ( esse tinha que subir de elevador, e quando o elevador estava cheio ?….kkkk )

    Convés, Náu catrineta, Tarantella, Farol da barra, Oswaldo

    dancin days no morro da urca….

    ir num pub londrino em botafogo, rua bambina, não lembro mais o nome…..

    boate new York city rua visconde de pirajá…..

    um karaokê que ficava na josé linhares esq de humberto de campos, perto da selva de pedra…..

    comer pizza do bela blu do leme….

    comer pizza numa pizzaria na rua dos jangadeiros, esqueci o nome

    comer founde no le chalet suisse na xavier da Silveira…

    comer no maxim’s na torre do rio sul…

    loja de doce, não lembro o nome na visconde silva – Humaitá

    bob’s da constante ramos, azulejo preto….

    la mole da dias ferreira…..

    restaurante japonês, putz não lembro o nome, ficava na av Sernambetiba, logo no início do recreio, no meio do mato e da junto à lagoa…

    cine rian…..

    importadoras na galeria Menescal, camiseta da adidas, rosa com 03 listas azuis no ombro.

    chico’s bar, piano bar anexo do castelo da lagoa…..maravilhoso……!!!!

    pizzaria guanabara, massa relativamente doce….uma delícia

    boate castel / Palace Club, no posto 6 no lobby do hotel….eu era sócio lá….rsrs

    bar da lagoa, maravilhoso…….fácil conhecer alguém lá…!!

    chaika em frente ao itanhangá

    boate calígula, no início da prudente de morais…..

    quem estava procurando alguém…….barril 1800, castelinho, um bar na esquina da vieira souto com farme de amoedo, não lembro o nome e não acredito, esqueci o nome daquele bar na delfim moreira esquina de rainha guilhermina.
    num destes 04 voce “arrumava” alguém….rsrsrs.

    Comprar pipa em Copacabana

    Ir na sorveteria “Zero” em Copacabana

    Beco das garrafas no lido

    Namorar dentro do carro no arpoador, tranquilo, sem bandidos

    Comer sanduiche submarino no gordon do Leblon.

    Fazer uma “média” na farmácia Piauí no Leblon….a primeira e única 24 horas da época

    Comer salgados na cirandinha – av Copacabana

    Sorvete ricco

    Comprar roupa na loja da tavares na avenida copacabana

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