Mônica Bergamo: Festivais e 174

Última Parada 174

Última Parada 174

Da coluna de Monica Bergamo na Folha Online:

O sindicato dos produtores de filmes quer combater a proliferação de festivais de cinema no Brasil. A entidade pretende criar uma lista de festivais que teriam um “selo de qualidade”, para onde os cineastas poderiam enviar seus filmes — eventos como os de Brasília, Gramado, Rio, Paulínia, Recife e Fortaleza. A informação é da coluna Mônica Bergamo na Folha desta terça-feira.

A íntegra da coluna Mônica Bergamo está disponível para assinantes do UOL e do jornal.

“O Brasil gastou neste ano mais de R$ 70 milhões nesses eventos, dinheiro captado por lei de incentivo que poderia ter sido investido em dezenas de filmes”, afirma o produtor Luiz Carlos Barreto. “É uma verdadeira indústria e uma concorrência predatória com os cineastas.”

Levantamento da entidade mostra que há mais de 40 festivais, “alguns até em cidades ribeirinhas do Amazonas”. “Temos que acabar com essa farra. Não podemos apoiar qualquer biboca por aí”, diz Barreto.

E o filme de Bruno Barreto “Última Parada – 174”, escolhido pelo Brasil para representar o país no Oscar, só chegou às telas graças a um mecenas: Pedro Conde Filho, um dos herdeiros do extinto BCN, o Banco de Crédito Nacional.

Conde colocou dinheiro no filme depois que ele foi reprovado três vezes em editais de financiamento do BNDES e da Petrobras.

As notas foram encontradas neste link.

~ por Tommy Beresford em setembro, 30 2008.

2 Respostas to “Mônica Bergamo: Festivais e 174”

  1. O FÓRUM DOS FESTIVAIS-Fórum Nacional dos Organizadores de Festivais Audiovisuais Brasileiros, vem a público repudiar veementemente os termos da declaração do produtor Luiz Carlos Barreto sobre os festivais brasileiros de cinema.

    Tal declaração demonstra uma completa falta de conhecimento do setor de festivais de cinema, que contribui vigorosamente para o processo de democratização do acesso da sociedade aos filmes nacionais, atraindo um público de mais de 2 milhões de espectadores ao ano. Mais do que 85% dos festivais realizam exibições sem cobrança de ingresso e, muitas vezes, são a única oportunidade de contato da população com a cinematografia brasileira. Há eventos que são realizados, inclusive, em cidades onda não há sala de cinema.

    São festivais com longo período de realização e respeitabilidade, como por exemplo os festivais de Brasília, Gramado, Rio, Anima Mundi, Guarnicê, Jornada da Bahia, Sesc de Melhores Filmes, Mostra do Audiovisual Paulista, Internacional de Curtas de SP, Internacional de Curtas do RJ, Internacional de Curtas de BH, Cine Ceará, Cine PE, Cuiabá, Florianópolis Audiovisual Mercosul, Festival Universitário, Vitória Cine Vídeo, Mostra de Tiradentes, dentre outros. Por outro lado, ocorre um franco crescimento de eventos que estão realizando as suas primeiras edições e que com a seriedade do trabalho estão conquistando público, parceiros e prestígio. São 132 festivais com presença em quase todos os estados brasileiros (exceto Roraima), inclusive em cidades ribeirinhas do Amazonas. Afinal, não fosse o festival, onde os ribeirinhos do Amazonas veriam os filmes brasileiros?

    O circuito de festivais brasileiros cresce nacional e internacionalmente e possui inúmeros eventos acontecendo em pontos estratégicos do mundo, abrindo espaço para a difusão, promoção e a criação de um ambiente de negócios entre os produtores brasileiros e compradores estrangeiros. Neste contexto estão inseridos, o Festival de Paris, Miami,Nova Iorque, Brasil Plural, Barcelona, Toronto, dentre outros.

    Torna-se importante destacar o grande número de representantes de festivais internacionais que vêm ao Brasil a cada ano (curadores de eventos do mundo inteiro) para conhecer a produção brasileira com vistas a programá-la no exterior. Além disso, os festivais nacionais recebem freqüentemente inúmeras solicitações sobre a indicação de títulos para festivais importantes como Cannes, Berlim, Los Angeles, Oberhausen. É um rico processo de intercâmbio que beneficia os produtores brasileiros.

    Os festivais temáticos são estimuladores da produção e geram o surgimento de novos filmes: festivais de animação, infantil, ambiental, universitário, documentário, etnográfico, etc. Não há dúvidas que o Anima Mundi fez surgir um novo tempo para animação no Brasil.

    Recente estudo realizado pelo Fórum dos Festivais, com apoio da Secretaria do Audiovisual do MinC, aponta que apenas 43% dos recursos captados pelos festivais são obtidos através da Lei Rouanet. Se os festivais são realizados parcialmente com recursos incentivados, é importante salientar que a quase totalidade dos filmes brasileiros são viabilizados através deste mecanismo. E graças aos festivais, boa parte da população consegue ter acesso aos filmes que ela mesmo financiou através do seu imposto de renda.

    Os recursos investidos por empresas nos festivais estão plenamente legitimados pelo público de milhões de espectadores, pela geração de empregos promovida pelo setor (6 mil empregos diretos – um dos maiores indicadores de empregabilidade da área cultural) e pelo papel social que desenvolvem . É uma postura cidadã. Os festivais no Brasil, ao contrário dos consagrados eventos que ocorrem pelo mundo afora (Berlim, Veneza, Cannes, etc) não se limitam a exibir filmes e atuar em promoção de imagem e de negócios. No Brasil, os festivais têm o compromisso de fazer a sociedade ver, discutir, refletir e aprender a fazer filmes. É, de novo, uma postura cidadã.

    O processo de crescimento de festivais é uma onda internacional. Quem acompanha o setor sabe disso. São dezenas de festivais na Argentina, centenas na França, outras centenas no Canadá e na Ásia, quase mil nos EUA e a cada semana surge um novo evento em algum ponto do planeta. Isso porque as cinematografias locais não conseguem ser vistas pelos seus cidadãos no circuito comercial. É a maneira que a sociedade encontrou para organizadamente responder à carência de espaços de exibição de filmes da sua nacionalidade. No Brasil, o circuito de festivais ainda tem muito a crescer e contribuir para que a população tenha condições de assistir aos filmes brasileiros em qualquer ponto do país.

    Antonio Leal
    Diretor-Executivo do Fórum dos Festivais

    No site http://www.forumdosfestivais.com.br está disponível a íntegra do estudo setorial dos festivais brasileiros de cinema.

  2. Quando eles vão perceber que o cinema nacional deixou de ser apenas uma máfia da familia Barretos & cia para se tornar um meio de expressão cultural democrático…

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