HBO: A Alice de Karim Ainouz

Andréia Horta, protagonista de 'Alice'

Andréia Horta, protagonista de 'Alice'

Texto de Bia Abramo para a Folha:

Em “Alice”, a nova minissérie brasileira da HBO, o cineasta Karim Aïnouz levou para a televisão a sua enorme facilidade de conduzir uma narrativa por meio de um personagem profundamente empático. Facilidade aqui, bem entendida, como impressão de quem está assistindo; em termos de roteiro e direção, nada deve ser mais complicado.

O fato é que, como em “Madame Satã” (2002) e “O Céu de Suely” (2006), a protagonista de “Alice” seduz o espectador logo nas primeiras cenas. Não por que tenha nada de especial, a princípio, mas justamente pelo contrário.

Em “Madame Satã”, havia, claro, a aura lendária do personagem e o interesse despertado por sua história cheia de ambigüidades. Já em “O Céu de Suely”, Hermila, de início, é uma mulher perfeitamente comum.

Alice também: moça, prestes a se casar com um cara legal, Henrique, com emprego, família e planos. Tudo isso em Palmas, cidade quase desconhecida, com avenidas que cortam planícies secas, ensolaradas e lembram uma epécie de Brasília construída fora de época. Uma reviravolta da narrativa vai jogá-la numa São Paulo tão desconhecida quanto indecifrável.

É esse o ponto de partida da série, que sugere mesmo um desenrolar clichê. Sabemos que Alice vai ter aventuras amorosas variadas, vai deslumbrar-se com o movimento da metrópole e sofrer com sua dureza -e caso não soubéssemos, a campanha intensiva de lançamento nos informaria em dois tempos. Mas, ao mesmo tempo, como já estamos completamente caídos por Alice, queremos ver como ela, e não qualquer outra, vai passar por tudo isso.

E, claro, como roteiro e direção vão dialogar -ou não- com as referências à personagem de Lewis Carroll. Não se sabe se a Alice de Karim viaja só pelo país das maravilhas, mas prossegue através do espelho -o que, no caso da Alice carrolliana, muda tudo. O primeiro episódio, “Na Toca do Coelho”, acertou a mão, tanto em citações visuais (algumas um pouco óbvias demais, mas outras bem mais sutis) como em soluções narrativas. Mas, por ora, faltou o humor “nonsense” e achar uma tradução mais delicada do que o deslumbramento para o sentimento de absurdo, que segue a Alice de Carroll por toda a sua jornada.

Talvez seja esperar demais de uma série de TV. Talvez não: se há algum lugar para experimentar uma TV menos burra, com algumas surpresas do cinema, e, ao mesmo tempo, exercitar uma teledramaturgia de qualidade e ao abrigo das pressões mais mesquinhas da audiência é justamente aí.

~ por Tommy Beresford em setembro, 30 2008.

Uma resposta to “HBO: A Alice de Karim Ainouz”

  1. Assisti aos episódios e gostei muito.Os atores estão muito bem em seu papéis e conseguem transmitir toda emoção e sentimento dos personagens.Não conhecia a atriz Andreia Horta mas pude perceber que é uma grande atriz,interpreta muito bem o papel com talento e muita naturalidade.
    As cenas de sexo e principalmente das homossessuais são realidade não só de São Paulo, mas do mundo todo, inclusive nos interiores de São Paulo.
    Eduardo Moscovis,como sempre,tem um charme todo especial e um grande talento também.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: