Festival do Rio 2008: Noite de Brasileiros no Odeon

Matéria de Carlos Helí de Almeida para o Jornal do Brasil:

Depois de enfrentar os estrangeiros no Festival de Cannes, em maio, e sair aclamado no Festival de Gramado, em agosto, onde cravou os Kikitos de Ator (Daniel de Oliveira), Fotografia, Música e os prêmios Especial do Júri, da Crítica e do Júri Popular, A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele, passou com louvor pelo crivo do espectador carioca. Foi no domingo à noite, em sua estréia de gala na sessão competitiva da Première Brasil do Festival do Rio.

– É muito estranho e diferente exibir meu filme para uma platéia cheia de amigos – confessou o diretor estreante, visivelmente nervoso, ladeado por parte da equipe e dos atores do filme. Na audiência, gente como Selton Mello e as atrizes Camila Pitanga e Maria Flor. – Se nós colocarmos em vocês um pouquinho do que é o caboclo ribeirinho já me considerarei satisfeito.

A festa da menina morta é ambientado numa comunidade do Amazonas profundo, que deposita suas vidas e esperanças nas mensagens de um jovem líder messiânico (Oliveira). A produção usou como locação a cidade de Barcelos, vilarejo a três horas de barco de Manaus. Apesar do domingo chuvoso, o público lotou o Cine Palácio.

– Obrigado pela presença de todos, apesar desta noite quase amazônica – brincou Vânia Catani, produtora do filme, que chega ao circuito comercial em março.

A mostra competitiva brasileira continuou no Odeon Petrobras, com a projeção de dois documentários inspirados pela mesma temática: a prostituição. No curta 69 – Praça da Luz, de Carolina Markowicz e Joana Galvão, cinco prostitutas de meia-idade que há anos fazem ponto em uma praça paulista relatam experiências – umas divertidas, outras chocantes – coletadas durante décadas de profissão.

– Foi um prazer enorme conviver com essas senhoras – contou Carolina no palco do Odeon, sem se dar conta da brincadeira com as palavras.

Na seqüência, aconteceu a estréia do longa-metragem Cinderelas, lobos e um príncipe encantado, de Joel Zito Araújo (autor de Filhas do vento), sobre brasileiras que trocam a insegurança financeira no Brasil por um marido ou emprego na Europa, muitas vezes em prostíbulos. O filme conta com depoimentos de ótimos personagens, aqui e no exterior, que ajudam a entender a problemática. Mas sofre com o mau uso de alguns deles, longos demais.

– Quero esclarecer que Cinderelas… não é um mero filme sobre prostituição, mas sobre o turismo sexual – corrigiu o diretor. – A idéia para este filme surgiu durante a pesquisa para um outro projeto, de ficção, chamado Amor à venda. Constatamos que havia elementos muito fortes nesse tema. Três quartos das mulheres traficadas para fins de exploração sexual são afro-descendentes, por exemplo.

A matéria foi encontrada aqui.

Mais posts sobre o Festival do Rio 2008 clicando aqui.

~ por Tommy Beresford em setembro, 30 2008.

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