A Ciência e o Olhar do Cinema

Artigo “Filmes que dão o que pensar”, por Cássio Starling Carlos, na ‘Ilustrada no Cinema’ da Folha:

Quando as luzes da sala se apagam e a do projetor se acende, tudo o que os filmes projetam na tela do cinema passa a conquistar nossa crença. Demônios, monstros, gente morta e até final feliz: em tudo passamos a acreditar. Por outro lado, ficamos curiosos de saber como os cientistas, esses destruidores profissionais de mitos e quimeras, reagem aos filmes.

De vez em quando aparece um livro no qual os cientistas se propõem a demolir as inverdades que o cinema inventa. Deveriam é se poupar desse tipo de trabalho, já que todo mundo sabe que quando entramos no cinema a primeira coisa em que deixamos de acreditar é em verdades.

De inspiração bem diferente é o volume “Ciência em Foco – O Olhar pelo Cinema” (197 págs, R$ 32), publicado pela editora Garamond. O livro reúne 14 textos de pesquisadores de diversas áreas que, de modos particulares, se debruçaram sobre filmes mais ou menos contemporâneos.

O volume, organizado pelo filósofo Gabriel Cid de Garcia e o matemático Carlos A. Q. Coimbra, reúne atividades apresentadas no projeto Ciência em Foco, que aconteceu entre 2004 e 2006 no Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro. A intenção deles não é desvendar mitos que o cinema veicula nem elevar os filmes a um patamar de conhecimento que eles não pretendem oferecer.

Como explicam os organizadores na apresentação, “não se trata de proporcionar meramente explicações distanciadas acerca de um conteúdo científico, tampouco de um discurso centrado somente no filme em si, mas, a partir deste, de pensar as questões por ele suscitadas”.

Dito de outro modo, trata-se de identificar em certos filmes conteúdos simbólicos que se comunicam com algumas teses mais estimulantes da ciência moderna. E, desta forma, tornar o conteúdo complexo e por vezes esotérico da ciência mais acessível a leitores não especializados.

Fora um ou outro escorregão exageradamente técnico, a maioria dos ensaios aponta conexões que estão aí para qualquer um ver, como a admirável análise que Paula Sibilia faz das interpretações do código genético, desmontando seus discursos de verdade a partir do filme “Gattaca” (1997).

Outro resultado bem-sucedido no qual se equilibram o comentário exterior e o conteúdo interior de uma obra cinematográfica é a realizada por Ilana Feldman, que examina a crença nas imagens e a conversão do fator cognitivo como a metáfora mais interessante de “O Show de Truman” (1998).

Já Luiz Alberto Oliveira adota “Corra, Lola, Corra” (1998) como álibi para suas valiosas digressões a respeito dos paralelismos entre ciência e arte em suas interpretações da natureza, nas quais se torna evidente que, em vez de concorrer, ambas criam reflexos especulares uma da outra.

A matéria pode ser encontrada aqui.

~ por Tommy Beresford em setembro, 24 2008.

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