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[Resenhas] O Sonho de Cassandra

Nos últimos anos, ninguém pode acusar Woody Allen de não arriscar. Depois das fases Mia Farrow e Diane Keaton, houve vários momentos em que ele ousou, em alguns casos de forma muito bem sucedida (”Match Point” é um bom exemplo), em outros nem tanto. O diretor tem preferido ficar atrás das câmeras, como em O Sonho de Cassandra, seu filme mais recente.

Em relação a riscos, talvez a maior curiosidade do filme esteja na escolha de elenco, dessa vez sem a presença magnética de Scarlett Johansson, sua (boa e seguida) escolha em “Match Point” e “Scoop” (e que volta à direção de Allen em breve no elenco de “Vicky Cristina Barcelona”, com Penélope Cruz e Javier Bardem). Ao contrário, a força agora é toda masculina, e Woody chama dois atores tão bons quanto díspares: Ewan McGregor e Colin Farrell são os dois protagonistas desta trama de mistério e suspense - quase que em doses medianas, ligeiramente modorrentas e até previsíveis, se não fossem pontuadas pela sempre excelente intervenção da trilha de Philip Glass.

Em meio a pequenas citações de mitologia e literatura clássica (como bem gosta Allen) e demorando um pouco a decolar, o filme é bom, explorando a intensidade mais perversa da ambição e questionando até onde podem ser éticos os laços de sangue. Quando decola, vai ‘num crescendo’ bem interessante. McGregor e (em especial) Farrell estão excelentes, realmente afinados, e seus papéis muito bem escolhidos: jamais poderíamos imaginar um no papel do outro, e é bem legal ouvi-los em sotaque britânico. Tom Wilkinson é outro que, pra variar, brilha em papel menor.

Não acredito que “O Sonho de Cassandra” - que eu chamaria de um “drama discretamente intenso”, na falta de uma expressão melhor - entre na lista de melhores filmes do diretor, mas vale o ingresso.

Leia uma boa entrevista com o diretor reproduzida pela Folha Online clicando aqui.

~ de Tommy Beresford em Maio, 07 2008.

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