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[Resenhas] Antes de Partir

Antes de Partir, cartazQuando Sylvester Stallone concorreu ao Oscar em 1977 por “Rocky - Um Lutador” (produção de 1976 que levou as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Direção - John G. Avildsen - e Melhor Edição), certamente alguns críticos devem ter pensado que, em meio ao monte de músculos, havia um ator em ascensão. Mais de trinta anos depois, vemos que estes estavam completamente errados, visto que Stallone insiste em seus heróis bombados tanto tempo depois e consegue a cada dia se mostrar pior e totalmente decadente.

Mas por que estou falando de Mr. Stallone se o texto é sobre Antes de Partir ? Porque, ao contrário do (literalmente) velho “Rambo”, justamente Jack Nicholson e Morgan Freeman, os dois protagonistas deste excelente filme de 2007 dirigido por Rob Reiner, a cada ano ficam melhores.

Não sei o que diziam deles na década de 70, mas certamente ninguém tinha dúvidas do talento de ambos: foi justamente Nicholson quem levara seu primeiro Oscar um ano antes de Stallone perder o seu, por “Um Estranho no Ninho”, integrante de minha lista de 30 e poucos favoritos. Além da estatueta de melhor ator em 1976, Nicholson levou posteriormente outros dois, um como coadjuvante, por “Laços de Ternura”, em 1984, e outro como protagonista, por “Melhor É Impossível”, em 1998: levou 3 Oscars em 3 décadas diferentes (isso em meio a 12 indicações).

Freeman não fica atrás. Levou o seu Oscar como coadjuvante por “Menina de Ouro”, em 2005, mas levou também o Urso de Prata em Berlim e o Globo de Ouro em 1990 por “Conduzindo Miss Daisy”, foi o Actor of The Year em 1997 no London Critics Circle Film Awards por “Se7en”, além de prêmios e indicações por “Todo Poderoso” e “Um Sonho de Liberdade” (este também na minha lista sagrada), entre outros.

Sem qualquer esforço, Nicholson e Freeman dão show em “Antes de Partir”, filme que poderia se tornar piegas e lacrimogênico em excesso se tivesse sido dirigido com mão pesada: Rob Reiner torna leve e extremamente digerível a pouco mais de uma hora e meia de projeção, mas de forma profunda o suficiente para refletirmos sobre o que fazemos da sucessão de 24 horas que compõe nossa vida, cujo final nunca sabemos quando será (embora muitos até desejassem saber).

Rob Reiner é excelente diretor de atores. Já fez grandes filmes como “Conta Comigo” (quem não se lembra, no “longínquo” ano de 1986 ou em alguma “Sessão da Tarde” da vida, de River Phoenix, Corey Feldman, Kiefer Sutherland, John Cusack, Richard Dreyfuss… ?), “Harry & Sally” (outro dos meus favoritos) e “Louca Obsessão” (que deu o Oscar a Kathy Bates), entre outros. Sem querer surpreender nem criar nada muito novo (até porque seria difícil neste caso), em “Antes de Partir” Rob Reiner conseguiu, com habilidade, melhorar um roteiro interessante mas que até poderia ser questionado pelos exageros aqui e ali.

Num filme que, muito mais que sobre a incerteza da morte ou os prazeres da vida, fala essencialmente de amizade, é uma delícia ver Nicholson e Freeman brilhando em bons diálogos: ambos, juntos ou cada qual em seu momento particular, nos fazem chorar, mas rir também, e bastante, sem que o filme caia no escracho ou no dramalhão. O filme ainda tem boas participações de Sean Hayes (consagrado na TV por “Will & Grace” e agora tentando emplacar no cinema), Beverly Todd e Rob Morrow.

“Antes de Partir” é mais um caso em que o boca-a-boca vem funcionando a pleno vapor, pelo menos no Rio de Janeiro: quem viu, recomenda. O público da terceira idade, por sinal, é a grande maioria, e em pouco mais de três semanas de exibição o filme já passou dos 500 mil espectadores no Brasil, boa marca para um ano ainda sem grandes blockbusters.

Mesmo sem ser uma obra-prima, é um filme excelente, portanto, que recomendo para todas as idades. Me fez lembrar, uma vez mais, que a essência da vida pode estar contida nas linhas manuscritas com letras tortas em uma folha de papel, nas entrelinhas do que lá escrevemos e mal enxergamos quando nos deixamos simplesmente levar, e nos pedaços desta mesma folha que volta e meia rasgamos e, ao recolhermos apressados, tentamos novamente juntar e colar.

E o Stallone (atualmente em cartaz com “Rambo IV”) nisso tudo ? Mesmo tão aventureiros, duvido que seus heróis tenham feito tantas coisas - em quantidade e qualidade - em suas vidas quanto os personagens de Jack Nicholson e Morgan Freeman no filme. :)

(Curiosidade: quem se lembra da edição do ano passado do Oscar deve recordar que Jack Nicholson, sempre sorridente com seus óculos escuros na primeira fila, apareceu careca. Foi justamente por causa das filmagens de “Antes de Partir”…)

Antes de Partir, cena

~ de Tommy Beresford em Março, 14 2008.

Uma resposta to “[Resenhas] Antes de Partir”

  1. a presença de qualquer um dos dois [ou três, se considerarmos o diretor] já torna qualquer filme imperdível pra mim.

    vi o trailer e já dei risada só com o trailer! imagine com o filme inteiro.

    [e o comentário inteiro também.]

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