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[Resenhas] Onde os Fracos Não Têm Vez

Onde os Fracos Não Têm Vez, cartazDifícil entender Onde os Fracos Não Têm Vez sem assisti-lo. E, para muitos, difícil entender o filme mesmo assistindo-o. É fato que muitos o detestaram - na seção em que fui ontem, muita gente saiu antes do final, e entre os (felizmente muitos) que resistiram, houve quem saísse sem entender, ou extremamente decepcionados.

Há vários motivos, e certamente um dos principais é a avalanche de críticas extremamente positivas, que criam aquela expectativa traidora sobre a qual já citei várias vezes aqui. Há a enxurrada de prêmios que o filme já conquistou (só de “Melhor Filme”, já foram 18, incluindo o Producers Guild of America (Feature Film) e o Screen Actors Guild, como Melhor Elenco), e que também traz aquela onda “esse filme eu tenho que ver”.

Mas, se as pessoas se decepcionam, então é um filme ruim ? Não, não mesmo, é um excelente filme. E extremamente impactante, talvez por (ou apesar do) outro motivo que faz as pessoas estranharem a produção: o ritmo quase modorrento. Passo a passo, o filme vai apresentando uma atmosfera nada urbana, nada frenética, nada… americana. Como assim ? É Texas, não é Nova York. E é isso, essa dualidade entre ser um filme hollywoodiano (pois, sim, ele o é) e ao mesmo tempo parecer um filme independente, e ainda ao mesmo tempo parecer um filme dos anos 50, que causa estranheza. Literalmente, é um filme árido. :)

O que talvez mais tenha me cativado no filme é o que vou denominar de “aura de mistério e suspense seco”, nada característica dos tais filmes “frenéticos” supracitados. Mesmo sem ter noção de em qual dose cavalar ele vai ser atingido, o espectador sabe bem o que esperar das próximas sequências, mas ainda assim se assusta e se surpreende - e não há a excelência característica das grandes trilhas sonoras às quais estamos acostumados. Sim, é um suspense seco e direto, exatamente uma porrada de ar comprimido com o qual o personagem Anton Chigurh alcança tudo o que deseja.

O roteiro é simples, direto, objetivo em cima de um bom texto, e a direção de Joel e Ethan Coen se aproveita disso tudo - e também da paisagem exuberante e dos excelentes atores - e faz um filme de primeira linha. Curiosamente, lembra algumas vezes o “Fargo” de quase 12 anos atrás, só que uns 40 graus mais quente…

Tommy Lee Jones está comedido e admirável, e em seu rosto cansado estão descritas todas as mazelas da pequena cidade na qual é policial. Josh Brolin é o ator certo no papel certo: nada de glamour num cara que não sabe muito bem o que fazer com o que encontrou e, mesmo que soubesse, não tem nem muito tempo para pensar a respeito. O sempre correto mas cada vez mais careteiro Woody Harrelson faz uma ponta de luxo, e todo o elenco é muito bom.

Mas o filme é de Javier Bardem. Ele está, mais uma vez, soberbo com seu cabelinho inclassificável, sua implacável voz grave e onipresença quase fantasmagórica. Curiosamente, vem concorrendo a quase todos os prêmios como ator coadjuvante - sorte dele, pois não tem competido com o Daniel Day Lewis de “Sangue Negro” e, assim, tem levado quase todos: já foram mais de 10, entre eles o Screen Actors Guild, o Globo de Ouro e o BAFTA. Franco favorito ao Oscar.

Está com medo de assistir ? Não tenha. Mas - como eu sempre digo - cuidado com as expectativas. Se merece o Oscar ? Aí são outros quinhentos…

Onde os Fracos Não Têm Vez, cena - Javier Bardem

~ de Tommy Beresford em Fevereiro, 13 2008.

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